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Cinema Madeirense

 

 

1895 - A 28 de dezembro, no Grand Café, em Paris a partir do aperfeiçoamento do cinetoscópio os irmãos Lumière, Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) espantam três dezenas de espectadores com o seu cinematógrafo – que em grego simboliza escrita em movimento.
O Cinematógrafo é movido a manivela e utiliza negativos perfurados, substituindo a ação de várias máquinas fotográficas para registar o movimento. Este aparelho torna possível, a projeção de imagens para um público.

1897 - João Anacleto Rodrigues (1869-1948), empresário da nossa praça, que comprara um aparelho reprodutor de imagens em movimento ao inventor Joly-Normandin, faz as primeiras exibições do seu cinematographo, a 15 de maio de 1897, no Teatro D. Maria Pia.
A primeira sessão de cinema no arquipélago contou com um programa de doze curtas-metragens adquiridas quando da compra do equipamento.
Entre maio e julho, ocorreram cerca de vinte sessões do cinematographo, contando já com uma nova encomenda de filmes que mais tarde serviram para uma digressão às Canárias e aos Açores, entre julho e novembro de 1897.

1900 - A 29 de novembro Alfredo Guilherme Rodrigues (1862-1942), irmão de João Anacleto Rodrigues (1869-1948), testou o seu animatógrafo Edison, auto-estereoscópio e piano elétrico, no Pavilhão Grande, situado na Praça da Rainha.

1901 - A 10 de fevereiro são projetadas por Alfredo Guilherme Rodrigues (1862-1942), imagens da Madeira, da autoria do fotógrafo amador Joaquim Augusto de Sousa (1853-1905).
Estas imagens não faziam parte de um filme sobre a Madeira, eram apenas uma montagem de películas fotográficas realizadas pelo conceituado fotógrafo amador Joaquim Augusto de Sousa (1853-1905) durante os seus passeios pela Ilha.

1902 - 1905 - Exibições irregulares de cinema de companhias continentais e estrangeiras que atuavam na Madeira.

1905 – A 6 de abril foi exibido “A viagem à Lua” do realizador Georges Méliès (1861-1938), inspirada na obra homónima de Júlio Verne (1828-1905). Promovida pelos empresários italianos Mr. e Mme. Calvinis.

1907 –A 27 de junho é projetada a curta-metragem “A vida de Cristo” no Teatro D. Maria Pia, que muitos apontaram, erradamente, como o primeiro filme a ser projetado na Madeira.
Foi o primeiro filme que teve um êxito retumbante no arquipélago, sempre com grandes afluências de público. Esteve em exibição desde de junho a novembro de 1907, embora não todos os dias. Em anos posteriores, esta película foi diversas vezes exibida e era tal o seu êxito, que as salas de cinema estavam sempre cheias. 

– A 1 de dezembro de 1907 é inaugurado o Teatro Águia D’Ouro, a primeira sala de cinema comercial fora das instalações do Teatro D. Maria Pia, ficando localizado na Praça da Rainha. Era seu proprietário Manuel Fernandes Camacho.

– A 12 de dezembro são exibidas na sala de cinema Águia D’Ouro pelas 18.00 horas, seis curtas-metragens documentais e uma ficção de nome “Drama de Veneza".

1908 - a 12 de janeiro de 1908 estreia-se no Teatro Águia D’Ouro uma película de um passeio pela Ilha da Madeira de nome “Excursão à Madeira”, filmado em 35 mm. Esta película, primeiramente, foi estreada na cidade de Lisboa a 27 de julho de 1907 e posteriormente no Porto a 7 de agosto desse mesmo ano, sendo atribuída a Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931) e a Eduardo C. Pascaud.

– A 15 de março de 1908, quatro meses após a sua inauguração, a sala de cinema Águia D’Ouro arde num violento incêndio. Este incêndio foi provocado por uma das películas que inflamou o arco voltaico do projetor. Não se registou mortos ou feridos graves uma vez que estavam poucas pessoas, na altura, a assistir ao filme e conseguiram sair facilmente.

– “O empresário madeirense João Frederico Rego iria trazer para a Madeira uma nova máquina, o cinematophone, (...).Esta maquineta era uma mistura do cinematógrafo com o gramofone, sendo particularmente utilizada em Inglaterra e na Alemanha para a visão e escuta de óperas filmadas.”

- A 18 de junho entre as 19.30 e 20.30 horas, no átrio do Teatro D. Maria Pia, é apresentado pelo empresário madeirense João Frederico Rego duas óperas “Miserere do Trovador” e “Avé Maria de Gounoud”; duas ficções “O anarchista” e a “Casa spirista” e dois documentários que ficaram célebres pelo impacto emocional que causaram no público madeirense o “Retrato d’El-Rei” e o “Funeral d’El-Rei D. Carlos I e Príncipe Real D. Luís Filippe”.

1909 – neste ano é exibida a película “A Taberna”, baseado no romance de Emile Zola (1840-1902). Este filme obteve muito sucesso entre os madeirenses.

– A 23 de outubro dá-se a abertura do Pavilhão Paris, situado na Rua João Tavira, sendo explorado pela empresa Sousa & Barreto, que mais tarde se ligaria à “Empreza Portugueza Cinematographica”, de Lisboa. Encerrou a sua atividade em [1922]

1910 – Nesta data prolifera a abertura de novas salas de cinema:

- a 27 de março é inaugurado o Salão Ideal, localizado na Rua 31 de Janeiro, sendo explorado pela Empreza Portugueza Cinematographica, de Lisboa. Encerra a 10 de agosto de 1914.

- a 10 de abril abre ao público o Salão Central, situado na Rua da Queimada de Baixo, sendo explorado pela empresa Leão & Soares, de Lisboa, cujo representante na Madeira era Cândido Casemiro Cunha. Encerra em outubro de 1911.
Utilizava um “kinematographo Daumont”.
O Salão Central ficava localizado no andar superior onde esteve a casa comercial “Africa House”, na Rua do Aljube.

- a 12 de maio é a vez do Salão – Teatro Variedades, situado na Rua de São Francisco. Encerra a 11 de novembro de 1911, devido a um incendio..

- em julho estava em funcionamento um cinematografo na freguesia do Seixal, máquina que pertencia a “uns rapazes do Porto do Moniz”

1911 - Nesta data é realizado a película intitulada “Madeira”, realizada por estrangeiros e distribuída pela firma francesa Eclipse e pelo britânico George Klein. Esta película nunca foi exibida no Funchal. »A obra, filmada em 35 mm, mostrava “vistas do Funchal. Transporte de bagagem até à praia. Flagrantes do mercado e das ruas. Flores nas varandas. Trabalhadores fazendo cadeiras [de vimes] ”. Tudo em apenas 90 segundos de duração«.

- O Teatro Circo é inaugurado a 3 de setembro de 1911 e exibiu o seu último filme a 1 de novembro de 1937.

- Reabre o Pavilhão Paris a 3 de setembro de 1911 que tinha fechado em maio deste mesmo ano

1912 – Começam, em janeiro de 1912, as negociações para se fazer a junção das sociedades que exploravam o Pavilhão Paris e o Teatro Circo

- A 12 de dezembro de 1912 dá-se a junção das empresas que exploravam o Pavilhão Paris e o Teatro Circo, ficando como gerente destas duas casa Henrique Paiva, na altura operador do Salão Ideal e representante da Empresa Cinematográfica Portuguesa.

1913 – A 25 de maio é rodada a película “O Cerco de Safi”, de 10 minutos, que simulava uma batalha entre cristãos e mouros. Consta que foi o primeiro filme de ficção realizado na Madeira, por João dos Reis Gomes (1869-1950), sendo o seu operador André Valldaura, que integrava os quadros da Companhia Cinematográfica de Portugal.
Este filme nunca foi comercializado.

- A 28 de junho, estreia a peça D. Guiomar Teixeira, no palco do Teatro Funchalense (atual Baltazar Dias), ex – Teatro D. Maria Pia, e nesta peça é utilizada a película “O Cerco de Safi”, no segundo quadro do quarto ato da dita peça. Foi um sucesso popular, apesar de muitos críticos não apreciarem a junção entre o teatro e o cinema, pois acusavam estes de perverter a linguagem teatral e provocar a sua decadência.

- Estreia a 9 de novembro, a película “Funchal Pitoresco”, no Salão Ideal e manteve-se em cartaz durante alguns dias. Esta película foi realizada por André Valldaura.

 1914 – Passa a 14 de junho, a película “Funchal Pitoresco”, no Pavilhão Paris que se mantém em cartaz durante algumas semanas.

- A 25 de junho estreia o “cinema falante” no Teatro Circo, em que Silva Carvalho, imitava sons dos vários quadros, do filme “O Contra Mestre incendiário”, que os espectadores observavam. Este tipo de cinema teve grande sucesso no Funchal, tendo 5 sessões, sendo a última a 29 desse mesmo mês.

- A 8 de outubro de 1914 a Empresa que geria o Pavilhão Paris assina um contrato de fornecimento de filmes com a Companhia Internacional de Cinematografia.

- A 28 de outubro o Teatro Circo é arrendado pela Companhia Cinematográfica de Portugal, que era representada no Funchal por João Lomelino Ferreira de Sousa e Maximiano de Sousa Rodrigues.

1915 – A 4 de fevereiro de 1915 o Teatro Circo estreia uma película denominada “Excursão à Madeira”, filme, segundo o Diário de Noticias da época, “de costumes e lugares, artistica e colorida, onde se vêem muitas e importantes pessoas do nosso meio.“

 - A 17 de fevereiro de 1915 a empresa Sousa, que geria o Pavilhão Paris assina um contrato de exclusividade com a Empresa Internacional de Cinematografia, que era “a mais importante que existe na Peninsula, sendo a única que hoje possue em Portugal e Espanha o exclusivo das principais casas criadoras de filmes”, sendo que a 17 de maio deste ano a mesma empresa toma conta da gestão do Pavilhão Paris.

1916 – A Câmara Municipal do Funchal, na sua sessão de 12 de outubro de 1916, resolveu reconhecer personalidade jurídica à empresa do Teatro Circo, passando assim a realizar contratos com a mesma.

1917 – A 8 de abril é inaugurado o pano de anúncios que estava colocado na boca de cena do Teatro Circo. Esse pano foi feito por José Joaquim de Mendonça e Fernando Câmara e era pertença de uma sociedade para exploração e colocação de anúncios, cujos sócios eram José Joaquim de Mendonça e João Rodrigues.

- A 30 de julho de 1917 todos os filmes que passavam em cena nas salas de cinema de Portugal passaram a estar legendados em português.

1918 – Estreou a 20 de março, no cinema Olímpia, em Lisboa, a película intitulada “Funchal”, realizada na Madeira, filme em 35 mm.

- O Pavilhão Paris reabre a 23 de junho, como sala cinematográfica, depois de três anos dedicados a espetáculos de “vaudeville”, devido à dificuldades em obter filmes por contingência da Guerra Mundial que grassava o mundo nesta altura. Obtinha os filmes do cinema Olímpia de Lisboa

1920 – O Pavilhão Paris é adquirido pelo empresário César Nascimento.

1921 – Criação a 12 de março da Empresa do Teatro Circo Limitada, por Leonardo Bettencourt Sardinha, João Lomelino Ferreira de Sousa, Maximiano de Sousa Rodrigues, António de Sousa e Constantino do Espirito Santo Ferreira, que serviria para explorar o Teatro Circo.

- Mário Huguin, operador da Portugalia Film, chega à Madeira em novembro de 1921, para filmar diversos aspetos da indústria madeirense, nomeadamente a de bordados, onde aproveita para filmar a chegada ao exílio na ilha da Madeira dos ex-soberanos austríacos, Carlos de Áustria (1887-1922) e a sua mulher Zita (1892-1989). Filma também as cerimónias da transladação dos corpos dos marinheiros franceses do navio de guerra “Surprise”, que fora afundado no Funchal por um submarino alemão em dezembro de 1916.

- Na chegada dos ex-imperadores da Áustria-Hungria estava também presente um operador da Casa Pathé News of America, chamado A. Glattly .

1922Manuel Luiz Vieira (1885–1952) mais conhecido pelo “Vieirinha”, foi o nosso mais importante realizador. Fotógrafo de profissão possuía a sua casa comercial denominada “Casa Pathé” (em frente do atual edifício) localizada na Rua da Carreira, atual Rua Dr. Câmara Pestana, tendo em junho/julho de 1922 realizado as suas primeiras experiências no campo da cinematografia, tendo o seu primeiro filme experimental sido uma encenação de uma briga no Largo da Igrejinha.

- No dia 10 de janeiro de 1922, é exibido o filme “Christus” numa sala denominada Salão Dramático de Santa Maria Maior, que ficava situada junto à Igreja do Socorro. E em fins desse mês a película foi exibida em Machico, tendo sido necessário para esse efeito levar um gerador elétrico a essa então vila.

- Criação da Companhia Cinematográfica Madeirense, Ltd. de Oscar G. Lomelino, cujo objeto de negócio era a venda de Aparelhos cinematográficos para amadores, para cinemas campestres, liceus, estabelecimentos de instrução, sociedades recreativas, etc. e aluguer de filmes. Propunham-se também realizar filmes, quer comerciais, quer de ficção.

- A 30 de julho de 1922, no Salão-Teatro dos Alamos, começaram a ser exibidas fitas cinematográficas todos os Domingos até ao final do mês de agosto.

- A 20 de agosto o Pavilhão Paris suspende os seus espetáculos devido a divergências entre empresários.

- Em 1922, Francisco Bento de Gouveia (1873-1956) funda a empresa Madeira Film, Limitada, com sede na Rua do Bom Jesus (atual colégio Bom Jesus), cuja estreia cinematográfica decorreu a 11 de dezembro no Teatro Circo.
Manuel Luís Vieira colabora com Francisco Bento de Gouveia.

1923 – A 5 de janeiro de 1923 a Madeira Film, Limitada, filma a excursão ao Terreiro da Luta da comitiva de Tenerife que por essa altura visitava a Madeira, mais especificamente quando os excursionistas passavam junto do monumento de João Gonçalves Zarco.

- A 6 e 7 de janeiro de 1923, o Teatro-Circo estreia para o publico em geral as películas produzidas pela Madeira Film, Limitada, nomeadamente a “Chegada do Presidente da Republica á Madeira”, “O Arraial de Nossa Senhora do Monte, em 15 de Agosto”, “A chegada dos Aviadores á Madeira”, “Vista do Funchal e arredores”, “Uma vindima” e “Dia de mau tempo”.

- Em fevereiro de 1923 a “Madeira Film” produz um documentário denominado “Dança século XV”, baseada numa exibição feita por Sofia de Figueiredo, Dulce de Menezes Alves, Maria Soares de Oliveira, Carlota Soares de Oliveira, Gabriela Soares de Oliveira, Ida Delgado Faria, Milena Ferraz, Isabel Monteiro, Álvaro Reis Gomes, Carlos Rego Pereira, Fernando Figueiredo, Arnaldo Rebelo, Carlos Gomes, Miguel Soares, Antero Bonifácio Gomes e Moisés Camacho no “Casino Pavão”.

- Em inícios do mês de fevereiro de 1923 é exibido um filme documental no “Teatro Real” na Laguna, ilha de Tenerife nas Canárias, realizado por José González Rivero, aquando da sua estada na Madeira por ocasião da excursão tenerifenha à Madeira em janeiro deste mesmo ano. A mesma película passa em março deste ano no Parque Recreativo de Santa Cruz de Tenerife.

- Em março de 1923, a Pathé Paris envia um operador à Madeira por sugestão da Sociedade de Propaganda de Portugal, para produzir um filme propagandístico sobre o turismo na Madeira, dentro de um documentário mais vasto acerca de Portugal.
Francisco Bento de Gouveia e Manuel Luís Vieira da “Madeira Film” colaboram neste documentário.

- Em fins de março de 1923, é apresentado, numa sessão para jornalistas, que decorreu na residência de Francisco Bento de Gouveia, o documentário, em 5 partes, das comemorações do V Centenário da Descoberta da Ilha da Madeira, produzido pela “Madeira Film”.
Filme que é exibido em Tenerife em maio de 1923, o que leva a alguma indignação dos jornais madeirenses, pelo facto destes filmes, obra de uma companhia madeirense, não passarem na Madeira, o que muitos achavam ser devido à falta de um cinema condigno. Contudo, um pouco mais tarde, o documentário é exibido no Funchal, primeiro no Cinema do Casino Vitória a 2 de setembro de 1923 e depois no Cine-Jardim a 17 de outubro de 1923.

- A 12 de agosto de 1923, inauguração do “Cine-Jardim”, cinema ao ar livre no Jardim Municipal, cujo gerente era João Alexandrino Teixeira.
Este cinema funciona até 25 de novembro do mesmo ano.

- A 30 de agosto de 1923, inauguração do cinema ao ar livre, cujo gerente era Gomes de Sousa, nos jardins do Casino Vitória. Neste cinema passaram, entre outras, todas as produções da “Madeira Film”, nomeadamente: “V Centenário da Descoberta da Madeira”, “A chegada dos aviadores à Madeira”, “Uma tosquia de ovelhas na serra de S. Roque”, “Uma excursão ao Ribeiro Frio”, “As festas do Espírito Santo em Ponta do Sol”, “Uma ascensão ao Pico Ruivo”.
A partir de 30 de dezembro de 1923 o mesmo passa a funcionar dentro do salão de baile do Casino Vitória.

- A 1 de novembro de 1923, a cerimónia do lançamento da primeira pedra do Monumento a Nossa Senhora da Paz no Terreiro da Luta, foi filmada pela Companhia Cinematográfica Madeirense.

- A 22 de novembro de 1923 é inaugurado o “Cine Ideal”, que se localizava na Rua de Santa Maria, n.º 8 e que segundo um jornal da época apresentava uma “original iluminação, que apresenta como novidade a circunstancia de, durante as exibições das fitas, deixar a sala com uma luz muito suave, por meio dumas lanternas artísticas, que em nada prejudicam a projecção”.
A gerência estava entregue a Gomes de Sousa, representante na Madeira do Cinema Condes de Lisboa.
Encerra a 5 de maio de 1924.

1924 – A 24 de fevereiro de 1924, Manuel Luís Vieira (1885-1952), através da sua “Casa Pathé”, organiza uma “excursão à neve”, onde aproveita para filmar a mesma e os jogos que aí se realizam.

- A 4 de abril de 1924, Gomes de Sousa, deixa a gerência do “Cine Ideal”.

- Em abril de 1924, os filmes da “Madeira Film”, cujo grande objetivo seria criar um grande filme publicitário sobre a Madeira, são exibidos para a comunidade portuguesa radicada nos E.U.A.

- A 15 de maio de 1924, Manuel Luís Vieira (1885-1952), como operador da “Madeira Films”, filma o começo da partida entre o Club Sport Marítimo e o Sporting Club de Portugal, numa partida de futebol integrada numa visita do citado Sporting à Madeira em maio de 1924.

- A 29 de maio de 1924 é reaberto o "Cine-Jardim", agora sobre gerência de Humberto Muller.
Encerra a 12 de novembro de 1924.

- A “Madeira Film”, a 2 de junho de 1924, produz um documentário sobre o 74ª aniversário da Banda Filarmónica “Artistas Funchalenses”, que decorreu nos jardins da Quinta Santana.

- A 1 de agosto de 1924, o “Cine-Jardim” passa no seu ecrã duas películas da “Madeira Film”: “Procissão do Enterro do Senhor” e “Procissão da Ressurreição”, documentários sobre duas procissões da Páscoa madeirense.

- A 19 de setembro de 1924, a “Madeira Film” faz exibir, no “Teatro-Circo” praticamente todas as suas produções cinematográficas, nomeadamente: “Ilha do Porto Santo – Paisagens e costumes”; “Excursão ao Ribeiro Frio”; “Excursão ao Pico Ruivo”; “Excursão a S. Vicente”; “Excursão ao Rabaçal”; “Paisagens de Inverno – excursão à neve”; “Festas do Espírito Santo na Ponta do Sol”; “Um actor de três anos e como se transporta o fogo de artificio para os arraiais”; “Baile de Ninfas – ensaiado pela Ex.mª Sr.ª D. Eugénia Rego Pereira e filmado na “Quinta Vigia”; “Homenagem ao Ex.mo Sr. Luiz de Carvalho, no Monte Palace Hotel”; “Aniversario da Banda dos Artistas”; “Inauguração da casa de saúde do Trapiche”; “Desportos náuticos – water-polo, natação e mergulhos”; “Desafio de “foot ball” entre o Sporting e o Marítimo”; “Nossa Senhora do Monte – Paisagens e arraial”.
Estas películas, segundo um periódico da altura, já haviam sido todas exibidas no estrangeiro, nomeadamente no Brasil e nos Estados Unidos da América.
As mesmas fitas passaram mais duas vezes no “Teatro-Circo”, a 3 e a 17 de outubro de 1924, sendo que na terceira exibição incluíram mais um documentário, intitulado “52º aniversário da Banda Artístico Madeirense”.

- A 6 de outubro de 1924, a “Madeira Film”, através do seu operador Manuel Luís Vieira (1885-1952), produziu um documentário do 52º aniversário da Banda Artístico Madeirense.

- A 21 de outubro de 1924, numa festa de caridade a favor da Casa de Saúde de São João de Deus (Trapiche), que decorreu no “Cine-Jardim”, foi passado o filme da “Madeira Film”, “Inauguração da casa de saúde do Trapiche”.

- A 27 de novembro de 1924, a “Madeira Film” passa no “Teatro-Circo”, depois de a 22 de novembro ter apresentado aos jornalistas, um documentário sobre os Açores, documentário esse que estava dividido em 8 partes.
Depois desta estreia o filme foi enviado para os Estados Unidos.

- Em novembro Manuel Luís Vieira (1885–1952) funda a ECAEmpresa Cinegráfica Atlântida  - com  sede na Rua da Carreira, atual Rua Dr. Câmara Pestana, no Funchal, onde estava localizado o seu laboratório e estúdio de filmagens.
“A figura de Manuel Luís Vieira (1885–1952) é bem mais conhecida como o melhor operador de câmara do cinema em Portugal durante toda a década de 30 e parte da de 40, tendo trabalhado nos mais importantes filmes dessas décadas ao lado dos melhores realizadores e ainda com outros directores de fotografia estrangeiros de renome que passaram pelo cinema português, como Gartner e Goldberger.”

1925 - A 18 de fevereiro, no “Teatro-Circo”, a “Madeira Film” apresenta um documentário filmico sobre a Madeira, dividido em 7 partes, mais uma, o Porto Santo.
Também apresentou o seu primeiro jornal cinematográfico, intitulado “Actualidades Madeirenses”.
Os filmes foram depois enviados para o estrangeiro.

- A 12 de março de 1925, estreia no “Teatro-Circo” o filme português “Sereia de Pedra”, da autoria de Virgínia de Castro e Almeida, em cuja produção esteve envolvido o madeirense Alberto Jardim.

- A 19 de abril de 1925 a “Madeira Film” filma o cortejo dos povos do Monte à Casa de Saúde do Trapiche, na altura em que o mesmo passava junto à Igreja de Santo António.

- Em abril de 1925 é criada a empresa “Cine-Jardim Ltd.ª” para explorar os divertimentos que se iriam produzir durante os meses de estio no Jardim Municipal.
Esta empresa tinha como sócios Humberto Muller, António Luís Monteiro e Hans Gärtner.

- A 7 de maio de 1925, a “Madeira Film” produz um documentário sobre a visita de cerca de 150 turistas húngaros que vieram à Madeira em peregrinação ao túmulo do imperador Carlos de Áustria (1887-1922).

- A 17 de maio de 1925 é reaberto o “Cine-Jardim”, localizado no Jardim Municipal, desta vez sob a gerência da Empresa “Cine-Jardim Ltd.ª”.
Os filmes eram fornecidos pela sociedade cinematográfica Castello Lopes, de Lisboa.
Encerra a 29 de novembro de 1925.

- A 21 de maio de 1925, o “Cine-Jardim” passa o jornal cinematográfico da “Madeira Film”, “Actualidades Madeirenses nº 2”.

- A 25 de maio de 1925, o Casino Pavão inaugura uma sala de cinema ao ar livre nos jardins do mesmo, que funcionaria todas as segundas e sextas-feiras dos meses de verão.

- A 10 de julho de 1925, no cinema ao ar livre do Casino Pavão, foi passado um documentário, que incluía uma ida a Santana de carro e outras vistas da cidade do Funchal, que segundo um periódico da altura fora produzido por uma nova companhia cinematográfica madeirense (possivelmente a ECA de Manuel Luíz Vieira).

- A 16 de julho de 1925 foi inaugurado, no Monte, um animatógrafo ao ar livre, numa zona denominado Largo da Lagoa, que serviria de apoio às denominadas Festas de Verão que decorreriam no Monte por esta altura.

- A 13 de setembro de 1925 é estreado, no Teatro-Circo, um filme publicitário aos automóveis Ford, produzido pela empresa de Manuel Luíz Vieira (1885-1952), denominado “Uma Viagem a São Vicente”.

- A 24 de setembro de 1925 é inaugurado um cinematógrafo no Casino Belmonte, que se localizava na freguesia do Monte.

- Estreia, no dia 27 de setembro de 1925, no cinematógrafo do Casino Belmonte a película “A Madeira Cinematográfica” da autoria da Empresa Cinegráfica Atlântida.

- A 8 de dezembro de 1925, a Banda Distrital do Funchal inaugura, na sua sede, uma série de projeções cinematográficas destinadas aos sócios da coletividade.

– A ECA em 1925, regista as “Festas de S. Pedro”, na Vila da Ribeira Brava.

Manuel Luiz Vieira (1885–1952), começa a realizar “A Calúnia” entre finais de 1925 e inícios de 1926, sendo a película mais conhecida deste realizador.

1926   – A 10 de fevereiro, no Teatro Circo, dá-se a ante-estreia da película “A Calúnia” e a estreia acontece a 24 do mesmo mês, tendo repetido sessões nos dias 26 de fevereiro, 2, 4, 23, 26 e 28 de março.
O filme “retracta a sociedade funchalense da época, nomeadamente na fina ironia com que trata a decadência dos fidalgos e de certa classe alta da capital madeirense, bem como desenha um suave retrato da esperança provocada pela emigração para a América, verificada em grande escala nos últimos anos do século XIX e primeiros do século XX
O filme “A Calúnia” foi produzido pela Empresa Cinegráfica Atlântida, com Realização, Argumento e Fotografia de Manuel Luís Vieira (1885–1952).
Faziam parte do elenco Nadine Menut, Arnaldo Coimbra (1899-?), Ermelinda Vieira, Maria Augusta Vieira de Abreu, Fernando de Figueiredo, João Sabino, Firmino Brazão, Vitorino de Abreu e Manuel Rodrigues.
Nesse mesmo dia de estreia foi também apresentado o documentário “O dia de São Pedro na Madeira”.

 – A 23 de março estreia no Teatro Circo uma segunda versão da película “A Calúnia”, tudo leva a crer que a história foi melhorada e talvez seja esta a versão que se encontra disponível nos arquivos da Cinemateca Portuguesa.
Nessa sessão é também exibido o documentário desportivo “Desafios de foot-ball entre o Club Olhanense e vários clubes do Funchal”.

- A 28 de março é passado pela última vez antes de partir para Lisboa o filme “A Calúnia", sendo esta sessão em homenagem aos atores do mesmo.
Neste dia são também passados os dois documentários que acompanharam as anteriores sessões de “A Calúnia”: “O dia de São Pedro na Madeira” e “Desafios de foot-ball entre o Club Olhanense e vários clubes do Funchal”.

 – Em março, Manuel Luiz Vieira (1885–1952), começa a realizar outro filme o “O Fauno das Montanhas”. As filmagens decorrem primeiro em estúdio, com algumas vistas da costa sul da ilha e depois no Rabaçal e nas 25 Fontes. Neste filme somente entram três atores: Arnaldo Coimbra (1899-?), Ermelinda Vieira e George Gordon, para além de figurantes.

- Aquando da Travessia aérea entre Lisboa e os Açores, com escala na Madeira, feita pelos aviadores Moreira de Campos e Neves Ferreira durante o mês de abril e maio de 1926, com estadia na Madeira entre 22 de abril e 9 de maio de 1926, Manuel Luiz Vieira (1885–1952), juntamente com Gabriel Feleciano de Ornelas, fazem a reportagem cinematográfica da chegada, estadia e partida dos mesmos da Ilha da Madeira.
O filme da chegada dos aviadores foi exibido em Lisboa no cinema “Central” em fins de abril e no Funchal num sessão dedicada aos tripulantes do hidroavião, que passou no Teatro-Circo no dia 6 de maio.
A reportagem completa foi exibida na sessão cinematográfica que aconteceu a 30 de maio no Patronato de São Pedro, incluída na “Semana da Criança” promovida pelo Colégio Lisbonense.

- A 25 de abril de 1926 o Patronato de São Pedro começa a promover sessões de cinema de modo a obter fundos para a manutenção das suas atividades.

 – A segunda versão do filme “A Calúnia” estreia entre 7 a 11 de maio de 1926, no Teatro Éden, em Lisboa, e no verão desse ano no Funchal. Por esta altura Manuel Luiz Vieira (1885–1952), tenta realizar a sua terceira obra cinematográfica, a que lhe chamaria “Indigestão”. Esta película acabaria por ser realizada e exibida ao mesmo tempo que o “O Fauno das Montanhas” e seriam estreados simultaneamente no Teatro Circo a 11 de maio de 1927.
A película “Indigestão” originalmente tinha duas partes e era apresentado como uma fantasia cómica do ator João Sabino, um dos mais valiosos colaboradores de Manuel Luís Vieira (1885–1952).

- A 6 de junho de 1926 o Cine-Jardim inicia novamente a sua temporada de cinema.

 – A 1 de agosto é inaugurado no Estreito de Câmara de Lobos a sala de cinema - Cinema Terraço, que funcionou durante dois meses. Funcionou no prédio onde mais tarde foi o armazém de vinhos da casa Veiga França, situado no Largo do Patim.

[1926-1927] - Oscar G. Lomelino e Gabriel Feleciano de Ornelas fundam a Globe Film, que encerra as portas por volta do ano de 1934.

1927 - No dia 2 de maio de 1927 é inaugurada no Caniço uma sala de cinema, situada no sítio da Igreja.
A abertura desta sala foi iniciativa de Manuel Duarte Júnior e Pedro Rego.

– A 11 de maio de 1927, um ano depois de iniciar as filmagens, estreia no Teatro Circo a película “O Fauno das Montanhas”, do realizador Manuel Luiz Vieira (1885–1952).
“ (...) sátira fantástica, sobre as curiosas fantasias duma jovem que participa com o pai, naturalista britânico, em expedição para conhecimento das espécies ornitológicas da ilha. No seu ardente romantismo, motivada pelo deslumbramento da paisagem, julgar-se-á perseguida por um fauno, que tenta assassinar o sábio, acabando por se impor a tranquila realidade...”
Apesar de muitas criticas positivas, teve direito apenas a três exibições comerciais no Funchal, não se sabe porquê mas talvez devido ao tema do próprio filme suscetível para a época.
É estreado também o filme cómico “Indigestão”.

- Estas duas ultimas obras, “O Fauno das Montanhas” e a “Indigestão”, de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), não tiveram o êxito dos outros filmes do cineasta e assim Manuel Luís Vieira viu-se obrigado a terminar as suas experiências no campo da ficção, passando a se dedicar aos documentários e seria nesta área que alcançaria grande sucesso. 

- A 13 de maio de 1927 temos a 2ª exibição das películas “O Fauno das Montanhas” e “Indigestão” no Teatro-Circo.

- A 22 de maio de 1927 é inaugurada a temporada de 1927 do Cine-Jardim, que continuava sob a gerência de Humberto Muller.
Encerra a 20 de novembro de 1927.

- A 2 de junho de 1927 os filmes “O Fauno das Montanhas” e “Indigestão”, este com algumas alterações que o encurtariam para apenas uma parte, passam pela terceira e última vez nos ecrãs do Teatro-Circo.
Juntamente com estes dois filmes de ficção, é passado um documentário denominado “Atlântida Jornal” que continha os seguintes trechos: “Concurso Infantil no Jardim”; “O pessoal da Casa Americana no Santo da Serra”; “Chegada ao Funchal dos aviadores Neves Ferreira e Moreira de Campos”.

- A 12 de junho de 1927 são, os filmes “O Fauno das Montanhas” e “Indigestão”, passados no Patronato de São Pedro.

- A 19 de junho de 1927 os filmes “Fauno das Montanhas”, “Indigestão”, conjuntamente com alguns documentários passam na sede da Banda Distrital do Funchal.

- Em fins de junho de 1927, houve uma excursão de diversos alunos do Liceu do Funchal a Canárias, tendo a mesma sido filmada pela “Globe Film”.

- A “Globe Film” estreia-se nas salas do Funchal, mais precisamente no Teatro-Circo, a 19 de julho de 1927, exibindo os seguintes filmes: “A Excursão dos Estudantes madeirenses a Tenerife e Las Palmas”, “Destroços do ciclone na Madeira” “Visita de Lord Birkenhead á Madeira” (A ação dos Hotéis Reid), “Uma excursão, em auto-chenille ao interior da Ilha” e o que possivelmente será uma montagem de vários filmes internacionais “Concurso de Beleza com Estrelas de Cinema”.

- A 7 de agosto de 1927 é inaugurado em Machico o “Cine Ideal”, cujo gerente era José Alberto Camacho.
Este cinema era ao ar livre e funcionou durante a época de verão de 1927.

- A 1 de agosto de 1927 a Câmara Municipal do Funchal recebe um requerimento da “Empresa do Cine-Jardim Ltd.”, pedindo a cedência do Teatro Municipal do Funchal para lá funcionar um cinematógrafo.
A Câmara acedeu, apesar de diversos abaixo-assinados contra a instalação do cinematógrafo no Teatro e do aparecimento de um segundo interessado, sendo que na sua sessão de 21 de agosto são assentes as bases para a instalação, pela referida empresa, de um cinematógrafo, desde que respeitasse diversos pontos, como o de instalar uma “uma cabine com todas as condições de segurança […] fazendo a ligação eléctrica respectivamente, completamente independente da instalação eléctrica do teatro” e que patrocinasse “semanalmente pelo menos três espectáculos com fitas artísticas que não hajam sido exibidas noutras casas de espectáculo desta cidade”.
Esta cedência era a título provisório e iria decorrer de 1 de outubro de 1927 a 30 de abril de 1928.

- A 16 de outubro de 1927 o Teatro Municipal “Dr. Manuel de Arriaga”, volta a ter cinema, com a estreia do filme “O Voo da Águia”. E como forma de cumprir as determinações da Câmara Municipal, a "Empresa Cine-Jardim Ltd." apresentou também um concerto com o violinista Luís Barbosa e a pianista Ema Coimbra Barbosa.

- A 23 de outubro, a passagem pela Madeira dos aviadores Ruth Elder (1902–1977) e George Halderman, foi acompanhada por dois operadores cinematográficos que vieram do continente português, conjuntamente com diversos jornalistas estrangeiros, Aníbal Gomes Contreiras e José César de Sá.

 – A 26 de outubro estreia em Paris, um filme realizado por Manuel Luiz Vieira (1885–1952), da atriz de Hollywood e aviadora norte americana, com título a “Chegada de Ruth Elder”. O avião em que viajava Ruth Elder (1902–1977) acompanhada do piloto George Halderman caiu nos mares dos Açores a 12 de outubro de 1927. Manuel Luís Vieira (1885–1952) encontrava-se nos Açores, por essa altura, a acompanhar uma excursão promovida pela Banda Municipal do Funchal e filmou a chegada da aviadora e o seu resgate por um navio holandês que prestou socorro.
A “aviadora” Ruth Elder (1902-1977) passaria pela Madeira, a 23 de outubro de 1927, em direção à Europa.

- A 30 de outubro de 1927, Manuel Luiz Vieira (1885–1952), filma a inauguração e bênção da Estátua ao Sagrado Coração de Jesus situada na Ponta do Garajau.

- A 30 de novembro, estreou-se no Teatro-Circo o filme “Da Madeira aos Açores” da autoria de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), tendo repetido no dia 5 de dezembro.
Este filme é o documentário sobre a excursão promovida pela Banda Municipal do Funchal aos Açores.
Este mesmo filme será depois enviado para os Açores onde será exibido no Coliseu Avenida em Ponta Delgada a 20 de dezembro, tendo tido uma sessão reservada a jornalistas, no mesmo espaço, a 16 do mesmo mês.
Dos Açores, foi, a 18 de janeiro de 1928, o filme enviado para os Estados Unidos da América.

- A 11 de dezembro de 1927 é reaberto o “Salão Ideal” na Rua 31 de Janeiro, desta vez sobre a propriedade da "Empresa Cine-Jardim Ltd.".
Servia para a mesma empresa poder apresentar os filmes mais ”populares”, que não podia apresentar no Teatro Municipal.
Encerra em fins de maio de 1928.

- A 22 de dezembro de 1927, passa no Patronato de São Pedro o documentário “Patronato de S. Pedro” da autoria de Manuel Luiz Vieira (1885–1952).

1928 -Manuel Luiz Vieira (1885–1952) tenta filmar a chegada do ex-rei Fernando da Bulgária (1861-1948), aquando da sua vinda à Madeira a 7 de janeiro.

- A 26 de março de 1928 o filme “A Calúnia” de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), é novamente passada num cinema do Funchal, neste caso no Teatro Municipal do Funchal, por ocasião da sua chegada da América.
Foi visionada unicamente pelo proprietário, Manuel Luiz Vieira (1885–1952) e pelo diretor e alguns funcionários da Alfandega do Funchal, para a satisfação de exigências fiscais e comprovação de posse.

- Durante o mês de abril de 1928 a ECA de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), filma um documentário sobre as diversas unidades fabris existentes na Madeira, como a Fábrica do Torreão, o Empresa Madeirense de Tabacos, entre outras.
Este documentário foi uma encomenda da Comissão organizadora da Exposição Agricolo-Pecuária que decorreu em meados de maio de 1928 no parque do antigo Hotel do Carmo.
O filme documental passou, posteriormente, nos ecrãs do Cine-Jardim, a 10 de junho de 1928.

- A 12 de maio de 1928, Manuel Luiz Vieira (1885–1952) deixa a ilha da Madeira, primeiro para o Porto, onde foi trabalhar para a “Invicta Filmes”, mas rapidamente passa a diretor técnico da empresa cinematográfica Mello, Castello Branco, de Lisboa.

- A 7 de junho de 1928 é encerrada a temporada de cinema no Teatro Municipal.

- A 10 de junho de 1928 é reaberto o Cine-Jardim, novamente sobre a gerência da “Empresa Cine-Jardim, Ltd”.
Encerra a 15 de novembro de 1928

- A 22 de junho de 1928, Arnaldo Coimbra o mais importante colaborador de Manuel Luiz Vieira (1885–1952) na “Empresa Cinegráfica Atlântida” parte para Lisboa para assumir o cargo de diretor técnico e artístico de uma empresa cinematográfica da capital (possivelmente a Lisboa Filmes).

- A 21 de setembro é fundada a Empresa de Cinema e Variedades Limitada, cujos sócios gerentes eram Tiago Matias de Aguiar, Abílio Rodrigues, Hans Gärtner e Jorge Alberto da Silva Freitas. Esta empresa foi criada para gerir a concessão do Teatro Municipal, na sua variante de sala de espetáculos de variedades e de cinema.

- A 24 de setembro de 1928, é adjudicada, por três anos, à Empresa de Cinema e Variedades Limitada, pela Câmara Municipal do Funchal, a concessão para exploração de cinema no Teatro Municipal do Funchal.

- A 21 de outubro de 1928 o Teatro Municipal reabre a sua secção de cinema, com a estreia de um filme da produtora alemã U.F.A. “O Diamante do Czar” ou “Der Orlow”.
Como curiosidade é de referir, que este filme estreou primeiro no Funchal que em Lisboa, o que aconteceu pela primeira vez com um filme estrangeiro.
A época de cinema termina a 25 de maio de 1929, contudo a empresa concessionária obteve da Câmara Municipal uma autorização, apesar da oposição de Humberto Muller, concessionário do Cine-Jardim, para continuar a passar cinema no Teatro Municipal durante os meses de verão, nos dias em que não houvesse espetáculos no Cine-Jardim.

1929 - A “Globe Film” apresentou, no Teatro Circo, nos dias 20 e 24 de janeiro de 1929, dois documentários sobre atualidades madeirenses, com os nomes “Globe Film” e “Globe Filme nº 2“.
A 20 de janeiro a Banda Distrital do Funchal, na sua sede, realiza uma sessão de cinema com filmes emprestados pela empresa que geria o Teatro Municipal.

- A 19 de fevereiro passa nos ecrãs do Teatro Circo o documentário produzido pela E.C.A. de Manuel Luís Vieira (1885–1952) a 30 de outubro de 1927, onde se filmava a inauguração da estátua ao Sagrado Coração de Jesus no Garajau.

- A 20 de fevereiro estreia no Madeira, mais propriamente no Teatro Municipal, o filme “Metropolis”, um filme de 1927, produzido pela U.F.A. e realizado por Fritz Lang (1890-1976), considerado o mais caro filme da época do cinema mudo.

- A 1 de maio de 1929 a Banda Distrital do Funchal começa, na sua sede, a passar filmes com alguma regularidade para os seus sócios, referindo a direção da banda que havia assinado um acordo com uma “Casa fornecedora de films”.

- A 30 de maio de 1929 reabre a época de cinema no Jardim Municipal, continuando a ser gerida pela empresa “Cine-Jardim Ltdª.”
Termina a 2 de novembro de 1929.

- A 5 de junho de 1929 o Casino Vitoria abre um cinema ao ar livre nos seus jardins, mas aberto a todo o publico, não sendo assim exclusivo aos sócios do Casino.
Este cinema era gerido pela Empresa de Cinema e Variedades Limitada.
Encerra a 15 de setembro de 1929.

- Entre junho e julho de 1929 a Câmara Municipal do Funchal declinou todas as ofertas de Humberto Muller e da sua “Empresa Cine-Jardim Ltdª.” de aluguer do espaço do Teatro, durante o verão e mesmo durante o mês de outubro, decidindo unicamente conceder este espaço, para poder passar cinema durante parte do verão, à Empresa de Cinema e Variedade até finais de julho de 1929.

- A 22 de agosto de 1929 a Banda Municipal do Funchal, que nesta altura tinha a sua sede na Quinta das Cruzes, inaugura um cinema ao ar livre nos jardins da dita Quinta.
Este cinema era destinado ao público em geral, mediante compra de bilhete e não exclusivamente aos sócios da Banda Municipal.

- A 9 de setembro de 1929 chegou ao Funchal o vapor “Aruca”, que, segundo noticias saídas na revista “Cinéfilo” de 21 de setembro de 1929, trazia a bordo uma equipa de filmagem da UFA, que ao longo do mês de setembro efetuou filmagens para serem utilizadas no filme “O contrabandista de Maiorca”, no original “Die Schmugglerbraut von Mallorca”, tendo na persecução desta tarefa utilizado a ajuda de Óscar Lomelino, operador e diretor da “Globe Filme”.
A mesma revista refere que Óscar Lomelino também efetuou, a pedido do médico Américo Durão (1894-1985), diversos documentários relacionados com operações cirúrgicas.

- A 1 de outubro de 1929 temos a abertura da época de cinema no Teatro Municipal, que estreia na Madeira o filme “Missão Secreta”, no original “Die geheime Macht”, um filme de 1928 com Suzy Vernon (1901-1997) e Walther Rilla (1894-1980).
Termina a 15 de julho de 1930.

– Realizou-se o filme “A dança dos paroxismos”, tendo como realizador Jorge Brum do Canto (1910-1994) e como operador de imagem Manuel Luiz Vieira (1885–1952).

 – Oscar G. Lomelino realizou um filme sobre o “Reid’s Palace Hotel” e além deste filme, realizou alguns outros nomeadamente de desafios de futebol no velho Campo do Almirante Reis.

1929/30Manuel Luiz Vieira (1885–1952) é operador dos filmes do realizador Jorge Brum do Canto (1910-1994) e da película “Maria do Mar” de José Leitão Barros (1896-1967).          

1930 – A 11 de fevereiro de 1930, é passado, no Teatro Circo, um documentário de atualidades madeirenses, denominado “Globe-Film C.ª”

- Nos dias 20 e 21 de abril realizam-se as chamadas “Festas de Verão” na “Quinta das Cruzes”, sendo que entre as 9 e as 10 horas da noite nestes dois dias havia uma sessão de cinema com entradas gratuitas.

- A 26 de abril de 1930, a “Globe Film”, filma, através do operador Gabriel de Ornelas, a homenagem que o “Diário da Madeira” organizou para homenagear o guarda-marinha Carlos Elói da Mota Freitas e do comandante José Botelho de Carvalho Araújo (1881-1918), mortos em combate na célebre batalha marítima entre o navio “Augusto de Castilho” e um submarino alemão em 1918.

- A 11 de maio reabre o cinema gerido pela Banda Municipal do Funchal, nos jardins da Quinta das Cruzes, agora denominado “Cine-Cruzes” e adaptado a servir como um cinema de exibições regulares.
Encerra a 12 de outubro de 1930.

Oscar G. Lomelino realiza a película “Olho do Diabo”, um documentário sobre as paisagens da floresta madeirense, tendo como ator principal Carlos de Freitas Martins (1909-1985).

- A 30 de junho de 1930 a Câmara Municipal do Funchal resolveu deferir um pedido da Empresa que geria o cinema no Teatro Municipal e autorizou que a mesma continuasse os espetáculos em permanência, contudo a empresa concessionária resolveu encerrar a temporada a 15 de julho, só apresentando três filmes em agosto.

- A 24 de setembro de 1930 reabre a temporada de cinema no Teatro Municipal com a exibição do filme de 1928, “Tesha”, da British International Pictures.
Termina a 7 de junho de 1931.

Vitorino de Abreu (cunhado de Manuel Luiz Vieira) realizou uma curta-metragem intitulada “Palinhos Herói” uma comédia interpretada por João Sabino.
Não existem registos deste filme.

1931 – A 4 de março, estreia no Teatro Municipal o cinema sonoro com o filme “O louco cantor”, tendo o mesmo causado sensação uma vez que sincronizava o som áudio com a imagem.
Segundo a Empresa que geria o Teatro Municipal estas sessões eram experimentais e iriam decorrerer de 4 a 22 de março de 1931, pois na altura a compra e instalação permanente do cinema sonoro eram ainda muito onerosas, especialmente para uma sala de cinema de uma cidade pequena.
Para além do filme “O Louco Cantor”, que repetiu ainda nos dias 5, 16 e 23 de março, foram passados os seguintes filmes sonoros: “Arca de Noé”, filme de 1928, um dos filmes que fez a transição do mudo para o sonoro, nos dias 9 a 13 de março e 15 e 22 de Março; “Alma Andaluza” nos dias 18 e 19 de março; o filme russo “Troica”, com belos bailados e emocionantes coros, que passou nos dias 6 a 8 de março e o filme “Paris que se diverte” nos dias 20 e 22 de março.
No dia 22 de março passaram ainda nos ecrãs do Teatro Municipal dois filmes animados e sonoros.

- A 17 de maio de 1931 temos a reabertura do Cine Cruzes, que continuava a ser gerido pela Banda Municipal do Funchal, contudo poucos dias depois encerrou, reabrindo a 12 de agosto muito devido à persistência de um grupo de associados da Banda Municipal do Funchal.
Termina a 6 de dezembro de 1931.

- A 23 de maio de 1931 a “Globe Film” filma o Chá – Dançante que se realizou no Casino Vitória, oferecido pelo então Cônsul do Brasil no Funchal, às autoridades do arquipélago.
Este documentário passou posteriormente no Teatro Municipal nos dias 4 e 7 de junho de 1931.

- A 18 de agosto de 1931, a Câmara Municipal do Funchal abria concurso para a instalação do cinema sonoro no Teatro Municipal.

- A 20 de setembro de 1931, o Patronato de São Pedro exibia um documentário, em duas partes, produzido pela “Globe Film”.

– A 27 de setembro é inaugurado fora do Funchal o "Salão Teatro Gil Vicente", sala de espetáculos com cerca de 800 lugares e que serviria para funcionar como Teatro para amadores e sala de cinema. A iniciativa partiu de Carlos Maria de França e António de França. Esta sala de espetáculos funcionou regularmente até à década de [19]70.

- Também a 27 de setembro estreia no Teatro Municipal, num espetáculo de solidariedade para com o Auxilio Maternal, a reportagem cinematográfica, realizada e produzida pelo “Diário de Noticias” de Lisboa, da Revolta da Madeira de abril de 1931.

- A 4 de outubro de 1931 reabre a temporada de cinema no Teatro Municipal, que enquanto se processava o concurso para a instalação do cinema sonoro, era gerido pelas mesmas pessoas que haviam gerido o “Cine-Cruzes”, sendo a receita gerada dedicada ao Auxilio Maternal..
Um dos filmes que passou nesta estreia foi um documentário produzido pela “Globe Film”.

- A 7 de outubro de 1931 passa no Teatro Municipal um jornal cinematográfico da “Globe Film”.

- A 23 de outubro de 1931, a Câmara Municipal manda anunciar nos jornais do continente a abertura do concurso para a instalação de um sistema de cinema sonoro no Teatro Municipal, pois até essa altura, na Madeira, só Humberto Muller se havia candidatado a essa tarefa.

- Criação da Empresa Cinema Sonoro da Madeira, que iria gerir o cinema sonoro no Teatro Municipal, antes de novembro de 1931.

- A 20 de dezembro de 1931 é inaugurado o Salão-Cine Cruzes, que mais não era que a transferência do Cine-Cruzes dos jardins da Quinta das Cruzes para um dos salões da mesma quinta.
Terminou a 1 de janeiro de 1932.

1932 –A 6 de janeiro de 1932 é inaugurado o cinema sonoro, em definitivo, no Teatro Municipal Dr. Manuel de Arriaga, depois de um longo processo, que incluiu dois concursos públicos anulados e diversas outras confusões processuais, ficando assim a empresa que já geria o Teatro Municipal, em conjunto com a direção do “Auxilio Maternal”, com a gerência dos espetáculos de cinema sonoro, tendo para isso criado a “Empresa Cinema Sonoro da Madeira”, que comprou os diversos aparelhos necessários à projeção de cinema sonoro, incluindo o aparelho de projeção de som que era da marca "Movietone".
Esta temporada acabou a 14 de fevereiro.

- a 17 de abril de 1932 começa nova temporada do “Cine-Cruzes”, desta vez sob a direção da “Empresa de Variedades Vítor Rosa & Sousa”.
Termina a 15 de dezembro de 1932.

- Arnaldo Coimbra foi encarregue de produzir o documentário fílmico da visita do então Ministro das Colónias, Armindo Monteiro (1896-1955), às colónias portuguesas, tendo passado pela Madeira a 25 de abril de 1932.

- a 21 de abril de 1932 passa nos ecrãs do “Teatro-Circo” um filme denominado “Aviação na Madeira”, que havia sido filmado na ilha.

- a 30 de maio de 1932 é inaugurada uma sala de cinema, o Salão-Cinema Paraíso na Vila da Ponta do Sol. Iniciativa dos empresários José Delgado, Juvenal Correia e João Varela. Desconhecem-se mais pormenores sobre esta sala.

- a 10 de junho de 1932 é inaugurado o cinema sonoro no “Teatro-Circo” com o filme francês de 1931 “Loucuras de Monte Carlo”, no original “Le capitaine Craddock”, cujo ator principal era Jean Murat (1888-1968).

- a 14 de julho de 1932 dá-se a inauguração, depois de um longo processo de remodelação das condições técnicas do Teatro, da aquisição de um novo aparelho para o cinema sonoro e de algumas dificuldades processuais, da temporada de cinema sonoro no Teatro Municipal “Manuel de Arriaga”, sob a gerência da “Empresa Cinema Sonoro da Madeira”, tendo estreado com o filme da empresa alemã U.F.A. “Ronny”.

- Em agosto de 1932 o Teatro-Circo encerra, a fim de proceder a obras para instalação definitiva do cinema sonoro nesta casa de espetáculos.

- A 25 de outubro de 1932 passaram pela Madeira diversos jornalistas franceses, acompanhados por um operador cinematográfico, tendo este aproveitado para filmar diversas paisagens do percurso entre o Funchal e o Ribeiro Frio.

- A 12 de novembro de 1932 estreia no Funchal, mais concretamente no "Patronato de São Pedro" o filme português de 1931 “A Portuguesa de Nápoles”, filme onde participa o ator madeirense João Sabino.

- A 18 de dezembro de 1932 reabre o Salão-Cine Cruzes.

- A 25 de dezembro é reaberto o “Teatro-Circo” após obras de beneficiação, mas continua a passar cinema mudo.

– É exibido no Teatro Municipal, em finais de 1932, um documentário feito em 1931 sobre a “Revolta da Madeira”, produção de Empresa Nacional de Publicidade e fotografado pelo operador Francisco Abreu.

1933 – A 6 de abril de 1933, Humberto Muller adjudica o “Teatro-Circo” por um período de 5 anos.

– A 7 de abril começaram as filmagens para a realização de um documentário sobre a Madeira, produzido a pedido de Luigi Gandolfo, por dois operadores da força aérea italiana.

– A 11 de abril é requerido à Câmara Municipal do Funchal, pela empresa concessionária do Teatro Municipal, para, durante os meses de julho, agosto, setembro e primeira quinzena de outubro, o cinema sonoro seja passado no Jardim Municipal, tendo a Câmara aceite este pedido.

- A 16 de abril de 1933 é inaugurada a nova temporada de cinema ao ar livre na “Quinta das Cruzes”, o denominado “Cine-Cruzes”, termina a 31 de julho de 1933.

- A 30 de abril, há a notícia da abertura de um novo cinema em Câmara de Lobos, localizado nas instalações do antigo engenho.

- A 2 de julho a temporada de cinema no Teatro Municipal chega ao fim, sendo todo o material de projeção e de som sido colocado no Jardim Municipal.

- O “Cine-Jardim” reabre a 9 de julho de 1933 com a maquinaria do Teatro Municipal, sendo a gerência da responsabilidade da “Empresa Cinema Sonoro da Madeira”. O filme passado nesta estreia foi “Anjos do Inferno”, no original “Hell’s Angels”, um filme produzido por Howard Hughes (1905-1976) em 1930.
Termina a 27 de setembro de 1933.

- A 31 de julho de 1933 o “Cine-Cruzes” termina definitivamente, sendo todo o recheio do mesmo sido vendido em leilão.

- A 9 de agosto o “Cine-Jardim” estreia no Funchal o primeiro documentário sonoro produzido em Portugal, “A Parada militar de 28 de Maio”, filme produzido pela “Tobis”.          

- A Temporada de Inverno de cinema no Teatro Municipal reinicia-se a 1 de outubro de 1933.               

- No “Diário da Madeira” de 10 de novembro de 1933, refere-se que o fotógrafo Carlos Melim, por motivos de publicidade das máquinas e fitas “Pathé Baby”, projecta alguns filmes no seu atelier, que se situava no Largo do Chafariz, incluindo algumas fotografias da sua autoria, não cobrando entrado por isso, o que faz com que o jornalista refira que “pelo menos para aqueles que estão impossibilitados de ver cinema nos teatros, a iniciativa de Carlos Melim é uma medida de grande economia”.

- O “Diário da Madeira” de 21 de dezembro de 1933, publica uma longa entrevista com Manuel Luís Vieira (1885–1952), onde se refere que o mesmo foi encarregue pelo Governo de Portugal de produzir uma série de documentários (um por Distrito), denominado de “Obra da Administração Pública Portuguesa”, tendo Manuel Luís Vieira (1885–1952) referido que apesar de ser um documentário encomendado pelo Estado português, o mesmo não entrava com dinheiro, o que obstava que os arquipélagos da Madeira e dos Açores estivessem presentes nesses documentários, pois o orçamento disponível não contemplava tais custos.

- A 25 de dezembro de 1933 estreia no Teatro Municipal o primeiro filme sonoro totalmente produzido em Portugal, “A Canção de Lisboa” (1933)

– A Globe Film, de Oscar G. Lomelino, produziu um documentário sobre as “As festas de São Pedro da Ribeira Brava” que alcançou um certo êxito no Continente, embora fosse criticada pelas “tintagens” efetuadas na película.

1934 – A 18 de janeiro é inaugurado o cinema sonoro no “Teatro-Circo”, tendo a Empresa que geria esta sala de espetáculos adquirido um projetor para cinema sonoro da marca “Bauer” e estreou o filme da Metro Goldwin Mayer “Espada Errante”, no original “Devil May Care”, filme de 1929.

– a 15 de julho de 1934 foi aberto ao público uma nova sala de cinema na Vila da Ponta do Sol denominada Cine-Sol. Sala de cinema com capacidade para 300 pessoas. Edifício construído de raiz para cinema da iniciativa de Marques Teixeira.

- a 7 de setembro o Teatro Municipal, passou, como complemento à sessão desse dia, um documentário britânico sobre a Ilha da Madeira, denominado “Madeira, Jardim do Atlântico”.

- a 8 de setembro de 1934 esteve, na Madeira, uma equipa da filmagem britânica, onde tomaram diversas vistas da Madeira e das atividades dos madeirenses, nomeadamente a “mergulhança”, os bomboteiros, o desembarque no cais, a Madeira Wine, um lagar e o processo do espremer da uva, o Ribeiro Frio e o Terreiro da Luta, contudo nesse dia estava nevoeiro nas zonas altas da Madeira, o que impossibilitou a descida dos carros de cesto e a vista da Igreja do Monte.
Foi a empresa Blandy quem ficou encarregue da logística desta equipa de filmagem.

- entre 12 e 20 de novembro de 1934 esteve na Madeira uma equipa cinematográfica alemã da “Majestic-Film GmbH”, constituída pelo produtor Helmut Eweler, pelo realizador Geiorg Jacoby (1883-1964), do operador de câmara Reimar Kuntze (1900-1949) e dos atores Dolly Hass (1910-1994), Ida Wust (1884-1958), Genia Nikolaieva (1904–2001), Albrecht Schoenhals (1888-1978) e Hugo Schrader (1902-1993), onde filmaram parte de um filme que estreou nas salas alemães a 29 de janeiro de 1935, chamado “Porque Mentes, Menina Kate?” no original “Warum lügt Fräulein Käthe?”.
Na ilha da Madeira filmaram, a 15 de novembro, uma série de danças folclóricas madeirenses no “Reid’s Palace Hotel”, “executados pelo grupo de senhoras e cavalheiros, da nossa sociedade elegante”, como dizia o “Diário de Noticias do Funchal” de 16 de novembro de 1934, tendo nos outros dias filmado algumas ruas da cidade do Funchal e cenas do quotidiano madeirense.

1935 - a 2 de fevereiro de 1935 é inaugurado o cinema sonoro no Patronato de São Pedro, com o filme da Paramount Pictures, “O Sinal da Cruz”, um filme de 1932, realizado por Cecil B. DeMille (1881-1959).

- a 11 de abril de 1935 o Pavilhão Marinho foi usado para passar alguns documentários sonoros alemães, tendo a iniciativa partido do consulado alemão nesta ilha.

- a 28 de abril de 1935, o operador cinematográfico madeirense Arnaldo Coimbra vem à Madeira a cargo do Secretariado de Propaganda Nacional para produzir alguns documentários turísticos, aproveitando para a 28 de maio desse ano filmar as comemorações do 28 de maio e a inauguração do pronto-socorro dos Bombeiros Voluntários Madeirenses, então sediados no Palácio de São Lourenço.

– a 15 de novembro de 1935 abre o Pavilhão Marinho,  situado no salão do Hotel Savoy  e encerrando nesse mesmo ano, em dezembro.
Esta sala de espetáculos serviu para passar os filmes do Teatro Municipal, enquanto este era utilizado por uma Companhia Teatral.

- a 10 de dezembro chega ao Funchal a Capitol Film Corporation, uma empresa inglesa, juntamente com mais de 20 pessoas, entre técnicos e atores para a realização do filme “The Marriage of Corbal”, realizado por Karl Grune (1890-1962), com argumento de S. Fullman.
As filmagens terminaram a 26 de dezembro, tendo também empregado cerca de 200 figurantes madeirenses.
Com este filme também foi realizado um documentário “From London to Madeira”, onde se retratava as peripécias da viagem da equipa até à Madeira e os bastidores da filmagem na ilha.
A equipa inglesa e o material de filmagem partiram da ilha da Madeira em direção a Londres a 4 de janeiro de 1936.

– a 22 de dezembro de 1935 abre ao público o Cinema Eden, um velho barracão metamorfoseado em sala de espetáculos ao Largo do Pelourinho e encerrado a 16 junho 1936.
 
1936  - N’”O Jornal” de 15 de janeiro de 1936 é referida a produção de um documentário produzido pela empresa “Interposto Cine-Comercial e Industrial” e realizado por Jorge Brum do Canto (1910-1994) e filmado por Aquilino Mendes (1908-1993), sobre as Festa do Fim do Ano na Madeira.
Partiram para Lisboa a 7 de janeiro de 1936.
Para completar este documentário, vieram para a Madeira, a 22 de maio de 1936, os operadores cinematográficos Eduardo Marcial de Abreu, Estevão Mota da Costa e Artur Costa Macedo (1894-1966), onde aproveitaram para filmar as comemorações do décimo aniversário da Revolução de 28 de maio de 1926, que incluiu diversas inaugurações e um bodo aos pobres no comando da P.S.P.
Este documentário, juntamente com o filme obtido durante as comemorações do centenário da Associação Comercial e Industrial do Funchal, passam no Teatro Municipal a 8 de julho de 1936
Passou novamente, já completo, com a ida aos Açores e à cidade de Boston nos Estados Unidos da América e com o nome de “Cruzeiro às Ilhas da Madeira e dos Açores”, no Teatro Municipal a 26 de maio de 1937 e novamente no Patronato de São Pedro a 30 de maio de 1937.

- a 5 de julho de 1936, são passados diversos documentários sobre agricultura e sobre as colónias portuguesas, num espaço montado no adro da igreja de São Roque, concelho do Funchal

– a 11 de agosto de 1936, o filme “A canção da terra” começa a ser realizado por Jorge Brum do Canto (1910-1994) e pelo operador Aquilino Mendes (1908-1993). “A canção da terra” é rodada na Ilha do Porto Santo, é uma longa-metragem de grande pendor naturalista. Com este filme o realizador Brum do Canto (1910-1994) “ (...) conquistou a crítica com a sua exemplar montagem e com a força telúrica das suas imagens e conquistou um lugar especial na história do cinema português pela modernidade e pelo rigor da realização.”.

1937 - a 6 de janeiro de 1937 a Câmara Municipal do Funchal abriu concurso para a exploração do cinema e bar do Teatro Municipal, por um período de 10 anos, sendo que até ao dia 15 de abril de 1937, prazo final de entrega de candidaturas, só a do capitão José Bettencourt da Câmara é que tinha dado entrada nos serviços da Câmara Municipal.

– no mês de abril de 1937 a gerência do Teatro-Circo é assumida pela empresa continental Sonoro-Filme, sendo o seu representante na Madeira, Paulo São Marcos.

– a 30 de maio de 1937 é inaugurado, na Casa do Povo de Santo António, uma sala de cinema sonoro.

- a 5 de julho de 1937 o Colégio Gonçalves Zarco, à Rua do Carmo, e dirigido pelo Padre Eduardo Pereira, passa diversos filmes infantis na sua sede, utilizando uma “Pathé Baby”.
Passa também um documentário da excursão de alguns alunos deste estabelecimento à Camacha.

- é filmada a película “A cultura da banana na ilha da Madeira” para os Serviços Cinematográficos do Ministério da Agricultura, pelo operador Salazar Dinis (1900-1955), cuja família era madeirense. Foi considerado um dos melhores operadores do cinema português.
           
 – a 15 de Julho era inaugurado o Cine Parque, localizado na Rua Ivens e Rua dos Aranhas.
Passou o filme “Tarzan, the Fearless”, um filme de 1933 com Buster Crabbe (1908-1983) e Julie Bishop (1914-2001) como protagonistas.
Propriedade da “Empresa de Cinema Sonoro da Madeira”, cujo gerente era o capitão José Bettencourt da Câmara.
Inicialmente esta “sala de cinema” era ao ar livre e só funcionava de Verão, tendo terminado a sua primeira época a 10 de outubro de 1937.

- a 3 de agosto de 1937 aparece um anuncio no “Diário de Noticias” do Funchal, onde se ponha à venda o “Teatro-Circo” e todo o seu recheio, cuja venda era efetuada pelo Banco da Madeira.
No dia seguinte a gerência desta sala de cinema é ocupada pela “Empresa do Cinema Sonoro da Madeira, passando assim a ser a única empresa, na Madeira, a gerir as grandes salas de espetáculo, pois era ela quem geria o cinema no Teatro Municipal, quem tinha constituído o “Cine-Parque” e agora assumia a gerência do Teatro-Circo, só lhe faltando o Patronato de São Pedro, que era posse da Paróquia da Sagrada Família.

- a 11 de outubro de 1937 começa a nova concessão do Teatro Municipal, ganha pela "Empresa do Cinema Sonoro da Madeira", conforme o concurso lançado em janeiro deste ano de 1937.

- a 19 de outubro de 1937 chegam à Madeira dois cineastas alemães, para produzirem um documentário para a “Hamburg Amerika Line”, tendo partido a 25 desse mês.

- a 20 de novembro de 1937 o Teatro-Circo começa a ser desmontado, pois a concessão dada em agosto desse ano terminaria a 7 de dezembro de1937 e não seria prorrogada, pois o local onde o mesmo estava instalado faria parte da nova avenida (a Avenida do Mar)

- o “Diário de Noticias” do Funchal, numa noticias de 22 de dezembro de 1937 refere que “… tivemos conhecimento que Mr. P. J. Chapman, que é um grande amador de fotografia cinematográfica e que em maio passado esteve na Madeira hospedado no Savoy Hotel, aproveitou a sua estada entre nós para realizar diversos filmes reproduzindo panoramas e aspectos da vida da Madeira, entre as quais curiosas fotografias do sport de pesca nos mares desta ilha. O referido filme foi submetido ao concurso anual do The Royal Photographic Society de Londres, sendo premiado e classificado em primeiro grau.”

1938 – a 16 de janeiro de 1938 foram passados dois documentários madeirenses no “parque da Casa do Povo de Santo António”.

- a 23 e 26 de janeiro de 1938 passou, no Teatro Municipal do Funchal, um documentário da autoria de Henrich Gärtner (1895-1962), denominado “Madeira – A Pérola do Atlântico”.

- no “Diário de Noticias” do Funchal de 22 de fevereiro de 1938, refere-se que “tem havido no Teatro Almeida Garrett, desta vila (Ribeira Brava), algumas sessões cinematográficas com a presença de inúmeras famílias”.

- a 24 de fevereiro de 1938, realizou-se uma sessão de cinema no Pavilhão Marinho do Hotel Savoy.

- a 29 de março, estreia nacional no Teatro São Luís, em Lisboa, da película “A canção da terra”, de Jorge Brum do Canto (1910-1994), e teve grandes enchentes, no Funchal estreia a 9 de dezembro desse ano. Foi considerada como a obra máxima do cinema português pois foi um filme ímpar na história do nosso cinema, pelo seu drama e intensidade e rigor na realização.

- a 12 de junho de 1938, o Ateneu Comercial do Funchal realizou uma excursão à zona leste da Madeira, tendo os Figueiras feito um filme desse passeio, que foi posteriormente passado no “Jardim do Sol” no Caniço a 3 de julho de 1938 e posteriormente na sede do Ateneu a 7 de julho de 1938.

- na sessão da Câmara Municipal do Funchal de 23 de junho de 1938, aparece-nos um pedido da Casa do Povo de Santo António para “demolir o antigo edifício, denominado “Pavilhão Paris” e a sua reconstrução no Parque daquela casa”, pedido esse que foi deferido na dita reunião camararia.

– foi aberta a 5 de julho de 1938 uma “sala de projecção de cinema ao ar livre” localizada na “Praia Oriental”, entre o cais da Entrada da Cidade e o Forte de São Tiago. Praia pública e muito frequentada por banhistas madeirenses, esta sala improvisada de cinema só funcionava na época de verão.
Esta “sala” foi, também, explorada por João Firmino Caldeira (1897-1975).

 – Por ocasião da visita do Presidente da República, General António Oscar de Fragoso Carmona (1869-1951) à Madeira, a 13 de julho de 1938, o fotógrafo Joaquim Gomes Figueira (1912-1995), que produziu e realizou algumas curtas-metragens na década de 30, registou esta visita. O documentário obteve um assinalado êxito no Funchal, tendo sido exibido a 26 de julho de 1938 na sede do Ateneu Comercial do Funchal, sendo exibido por mais quatro vezes: a 28 de julho e 2 de agosto no Ateneu, a 4 de agosto na sede da Juventude Católica do Funchal, à Rua dos Ferreiros e a 21 de agosto na sede da Juventude Católica Antoniana.

- a 9 de dezembro de 1938 estreia no Funchal, no Teatro Municipal o filme português “A Canção da Terra”.

1939 – a 22 de janeiro de 1939 é inaugurado o pavilhão da Casa do Povo de Santo António, que servia de sala de espetáculos.
Este pavilhão era o antigo barracão do “Pavilhão Paris”.

- a 19 de março de 1939 é inaugurado o cinema sonoro na Casa do Povo de Santo António.

- a 4 de junho de 1939 reabre o cinema na “Praia Oriental”, desta vez com cinema sonoro.
Termina a 22 de outubro de 1939.

- a 20 de julho de 1939 começam sessões de cinema na sede da Banda Municipal do Funchal e que passaram ao longo do mês de agosto desse ano.

1940 – A 27 de março de 1940, passam, na sede da Legião Portuguesa, à Rua da Carreira, dois documentários realizados pelos madeirenses Ferraz Simões e Joaquim Figueira, um sobre a visita do Presidente da República à Madeira em 1939 3 outro sobre atividades da própria Legião Portuguesa.

- a 4 de junho de 1940, durante as comemorações do Duplo Centenário (do qual a Exposição do Mundo Português fez parte), passou cinema ao ar livre no Campo Almirante Reis, sendo o seu acesso gratuito.

- a 13 de junho de 1940 é inaugurado o cinema na Esplanada de São Tiago, um local de espetáculos e café, inaugurado a 14 de julho de 1939.
Termina a 3 de novembro de 1940.

- a 3 de Julho é inaugurado por João Firmino Caldeira (1897–1975), a sala de cinema Cine Parque. Embora este espaço já em tempos tivesse sido utilizado para cinema na década de 30, só nesta data teve remodelações de modo a privilegiar este tipo de espectáculos. Sendo que a 8 de agosto deste ano é inaugurado o “Solar D. Mécia”, que servia como salão de baile e restaurante de apoio ao Cine Parque.

- a 18 de julho começam sessões de cinema na chamada “praia de São João”, situada na zona do Almirante Reis.
Termina a 29 de setembro de 1940.

- a 28 de julho é reaberto o cinema da “Praia Oriental”, que encerra, novamente, a 17 de novembro de 1940.

- a 10 de agosto começam as sessões de cinema sonoro ao ar livre nos jardins da então Quinta Vigia, que servia já como Casino da Madeira.

[1940] – »Foi (...) na década de 40 que surgiu o primeiro cine-clube na Madeira. (...). Chamou-se “Hollywood Club Stars” e foi dinamizado por Fernando Nascimento e José Hermenegildo Campos. O clube deu origem a um fanzine, o “Eco Mágico”. (…).«
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.83

1941 – a 2 de fevereiro reabre o cinema na Esplanada de São Tiago, agora com o recinto coberto com uma cobertura tipo “chapitô”, encerrando a 28 de setembro de 1941.

- a 4 de maio reabre o cinema sonoro na “Praia Oriental”, desta vez sob a gerência de João Firmino Caldeira (1897–1975), encerrando a 5 de novembro de 1941.

- a 18 de junho é inaugurado o “Cine-Jardim”, localizado na Rua do Carmo, mais precisamente nos jardins do antigo “Reid´s Carmo Hotel”, interrompendo a sua atividade a 9 de outubro de 1941.

- a 27 de agosto de 1941 foi montado um ecrã nas proximidades da ponte de São Lázaro, onde passou cinema destinado às classes mais desfavorecidas.

- a 21 de dezembro o “Cine-Jardim” reabre, desta vez com uma cobertura tipo “chapitô”.

1942 – a 14 de maio reabre o cinema na “Praia Oriental”, que encerra a 5 de outubro.

- na reunião da Câmara Municipal do Funchal de 5 de novembro de 1942, foi decidido que o Funchal necessitava de uma sala de cinema construída de raiz, desocupando o Teatro Municipal para a sua verdadeira função, tendo assim decidido tomar três medidas:
“1º - Não conceder a exploração do Teatro Municipal de Baltazar Dias, findo que seja a concessão em curso;
2º - Vender terreno marginal à Avenida do Mar para a construção dum cinema, podendo o seu pagamento ser feito em prestações e nos termos a estabelecer;
3º - Proibir coberturas provisórias, em lona ou qualquer outro material, dos locais onde funcionam cinemas ao ar livre.”
Contudo tais medidas nunca saíram do papel, pois, tirando a cessação da concessão do Teatro Municipal à “Empresa do Cinema Sonoro”, todas as outras medidas nunca foram aplicadas durante a vigência do Dr. Fernão de Ornelas (1908-1978).

1943 – O ator madeirense Virgílio Teixeira (1917-2010) participou na película “Ave de Arribação”, do realizador Armando de Miranda (1904-1975). Nesta película o ator alcançou algum prestígio com a sua personagem.
Este filme estreou no Funchal, no Teatro Municipal, a 13 de setembro de 1944.

- a 6 de março de 1943, é inaugurado o Salão do Cine-Parque, com entrada pela Rua do Conselheiro n.º 43, que serviria como salão de baile de apoio ao cinema do Cine-Parque e do Solar D. Mécia.
Foi decorado pelo pintor António Gouveia.

- a 14 de maio o empresário madeirense, capitão José Bettencourt Câmara, realizou uma sessão de cinema no Sanatório Dr. João de Almada, para beneficio dos doentes aí internados.

- a 23 de junho recomeçam as sessões de cinema na Praia Oriental, terminando a 3 de outubro.

1944 – a 28 de maio a Praia Oriental reabre, encerrando a 10 de outubro.

- durante a passagem do Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Cerejeira (1888-1977) pela Madeira, a 17 de julho, com destino a Lourenço Marques, onde ia inaugurar a Catedral da citada cidade, Manuel Luís Vieira (1885-1952), juntamente com António de Sousa, filmou a visita, pois ia integrado na comitiva do Cardeal Patriarca, com a função de produzir um documentário sobre este périplo africano de D. Manuel Cerejeira (1888-1977).

1945   - No “Diário de Noticias” do Funchal de 12 de janeiro, o então proprietário da Empresa de Cinema Sonoro da Madeira, José Bettencourt Câmara, que então geria as salas de cinema do Teatro Municipal e do “Cine-Jardim”, envia uma missiva à Câmara Municipal do Funchal, onde pedia que a Câmara, ou revogasse o decreto de 5 de outubro de 1942, que proibia a colocação de toldos nos cinemas ao ar livre ou permitisse a realização de sessões a preços “populares” e sem exigência de vestuário adequado, tendo a Câmara Municipal respondido, que como não se tinha ainda procedido à construção de um “verdadeiro cinema” e por manter a proibição da montagem de toldos, por razões de salubridade, iria permitir a realização de sessões “populares”.
Nesse mesmo dia o “Cine-Parque” anuncia que iria promover um abaixo-assinado para obrigar a Câmara Municipal do Funchal a aceitar a cobertura, em lona, dos recintos dos cinemas ao ar livre.

- a 8 de fevereiro, na sua reunião de vereação, a Câmara Municipal do Funchal, delibera o seguinte: “Sendo de grande interesse público que se proceda à construção imediata dum cinema em melhores condições para este género de espectáculos e com mais capacidade do que o Teatro Municipal de Baltazar Dias, de modo a se tornar possível a existência de avultado numero de lugares a preços populares, resolve a Camara, em sequencia da deliberação de 5 de Novembro de 1942 e no exercício das suas atribuições:
1º - Abrir concurso público pelo prazo de 60 dias para apresentação na Camara de propostas para a construção dum cinema com as seguintes indicações:

  1. Indicação do local da projectada construção, acompanhado dum coquis;
  2. Indicação do prazo máximo dentro do qual será apresentado o projecto;
  3. Indicação do prazo máximo para o início da construção.

Serão condições de preferência para a adjudicação:

  1. O melhor local:
  2. Em igualdade de circunstâncias quanto ao local, o menor prazo para a entrega do projecto e início das obras.

2º - A Camara compromete-se a não autorizar a construção de edifícios provisórios e abarracados para a instalação de cinemas e bem assim a cobertura de quaisquer esplanadas já existentes e ainda não dar de exploração para cinema o Teatro Municipal de Baltazar Dias”.

- a 10 de fevereiro, Teodoro Silva (1900-1976), parte para Lisboa para prosseguir uma carreira profissional de ator.

- a 11 de abril estreia, no Cine-Parque, um filme de Jorge Brum do Canto (1910-1994), denominado “Um Homem às Direitas”, onde participa Virgílio Teixeira (1917-2010)

Virgílio Teixeira (1917-2010) alcançou crédito suficiente para ser chamado para o papel principal da película “José do Telhado”, que lhe granjeou grande prestígio popular.
Filme realizado por Armando de Miranda
(1904-1975).
Este filme estreou no Funchal, no “Cine-Parque”, a 11 de junho de 1946.

– a 24 de maio foi criada em Câmara de Lobos, »(...) uma associação social de natureza recreativa e de cultura artística pela música e pelo cinema e que ostentava a denominação de Salão Ideal. Possuía sede ao sítio do Espírito Santo e Calçada (...).
Foram sócios fundadores António Fernandes Dantas, José Fernandes Dantas, José Ferreira, António de Abreu, Francisco Assis de Barros, António Rufino Coelho e João Augusto de Barros.
A responsabilidade pela presidência da Direcção caberia a António Fernandes Dantas (1897–1973).
No início dos anos [19]70 António Fernandes Dantas terá cedido a exploração do Salão Ideal à Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada, propriedade de João Aquino Morna Jardim (1934-2002).
O Salão Ideal encerra em [1980] «.
               in FREITAS, Manuel Pedro, Caminhos e lugares do concelho de Câmara de Lobos (80).O Salão Ideal, 1ª parte. Jornal da Madeira, 27 junho 1999

1946 – A 8 de junho A Escola Industrial e Comercial António Augusto de Aguiar, promove uma sessão de cinema aos seus alunos, sessão essa que teve lugar no ginásio do Liceu Jaime Moniz, com o documentário de 1945 “Ilhas Crioulas de Cabo Verde”, entre outros documentários e filmes de animação.

- a 3 de julho aparece-nos mais um edital da Câmara Municipal do Funchal, que refere que em reunião do dia 27 de junho de 1946 foi novamente aprovado a abertura de um concurso para a construção de um cinema na cidade do Funchal, sendo que desta vez a Câmara fornecerá o “projeto da construção, de acordo com o programa a fornecer pelos compradores”.

- a 8 de agosto, nos Prémios Cinematográficos do SNI, Virgílio Teixeira (1917-2010) foi premiado com o préprémio de melhor ator no ano de 1945 e Manuel Luís Vieira (1885-1952) recebeu uma Menção Honrosa.

- no “Diário de Noticias” do Funchal, de 20 de outubro de 1946 é referido que a Inspeção Geral de Espetáculos havia solicitado ao gerente do “Salão Ideal” de Câmara de Lobos que fizesse algumas modificações ao edifício onde estava localizado.

- a 19 de dezembro estreia no Cine-Parque mais um filme onde participava Virgílio Teixeira (1917-2010), “Madalena…, zero em comportamento”, uma co-produção luso-espanhola, realizada por José María Téllez.

- inicia-se a publicação de “O Eco Mágico”, que teve cerca de um ano e meio de existência.

1947 a 1 de janeiro estreia no Cine-Parque mais um filme onde participava Virgílio Teixeira (1917-2010), “Cais do Sodré”, realizado por Alejandro Perla (1911-1973)

- durante a passagem do Subsecretário de Estado das Colónias Rui Sá Carneiro (1899-1963) pelo Funchal a 21 de janeiro, a caminho da Guiné-Bissau  para as comemorações do seu 5º Centenário, Manuel Luís Vieira (1885-1952), juntamente com o operador cinematográfico Fernando Macedo das Neves, que o acompanhavam nesta viagem, filmaram as cerimónias de boas vindas e despedida que decorreram no Funchal durante esse dia.

- no “Diário de Noticias” do Funchal de 14 de fevereiro, refere-se, numa local, que o “distinto realizador cinematográfico sr. Victor Raposo” chega nesse mesmo dia ao Funchal para “fazer um documentário da Madeira, sobre as suas belezas panorâmicas, filmando também, as nossas actividades comerciais e industriais”.

- entre 5 e 10 de abril esteve na Madeira um “embaixada desportiva” espanhola, para participar nos chamados “Grandes Torneios da Páscoa”, que englobavam provas de ténis, vela e futebol. E juntamente com esta “embaixada” vieram dois cineastas espanhóis, membros dos “Noticiarios y Documentales” ou “No-Do”, Joaquim Llopis e Joaquim Hualde Ortigoso, que filmaram diversos aspetos do “Torneio” e da paisagem madeirense.

- chegados a 17 de abril de 1947, três cineastas, Santos Mendes, realizador, Guerreio de Quental, produtor e Octávio Bobone, operador cinematográfico, da “Atlante Filmes” estiveram durante uma semana a filmar as paisagens da Madeira, assim como a sua industria e comercio.
Segundo o “Diário de Noticias” do Funchal de 18 de abril, estas filmagens seria para um documentário de propaganda da Madeira e seria a cores.
Este filme, com o nome de “Madeira, Joia do Império”, foi exibido no Funchal, primeiro numa sessão privada no Teatro Municipal a 28 de junho e posteriormente no dia 30 de julho, como sessão de despedida da gerência do cinema no Teatro Municipal da Empresa de Cinema Sonoro, no dia 3 de julho no Cine-Jardim, a 26 de agosto no Cine-Jardim e finalmente a 28 de dezembro no “Cine-Parque”.

- a 5 de maio estreia, no “Cine-Parque”, mais um filme com participação de Virgílio Teixeira (1917-2010), “Ladrão, Precisa-se!...” de Jorge Brum do Canto (1910-1994).

- a 8 de maio, a Câmara Municipal do Funchal lança um edital para a abertura do concurso para a exploração do “Cinema Sonoro e Botequim no Teatro Municipal de Baltazar Dias”, sendo que o concurso teria um prazo de trinta dias e o vencedor ficaria com a exploração do Teatro Municipal na sua vertente de cinema durante dois anos mediante o pagamento de 72 mil escudos, pagos em mensalidades.
Tendo o “Diário de Noticias” do Funchal de 22 de junho de 1947 referido que tal concurso tinha sido ganho por Arthur Silva e que a adjudicação começava a 1 de julho de 1947, embora os espetáculos cinematográficos só tenham sido retomados a 12 de setembro com o filme de Alfred Hitchcock
(1899-1980), “A Casa Encantada”, com os atores Gregory Peck (1916-2003) e Ingrid Bergman (1915-1982).

- no “Diário de Noticias” de 10 de maio é referido que o documentário de propaganda da Madeira estava já finalizado e que teria havido uma sessão privada, em Lisboa, no dia 8 de maio para a visualização da “cópia de montagem”, sessão essa a que assistiram diversos madeirenses

. - a 15 de Julho é constituída a Empresa Cinematográfica da Madeira Limitada, cujos sócios gerentes eram Arthur Silva e Eduardo de Martel Correia. Esta empresa foi constituída para gerir a concessão dada pela Câmara Municipal do Funchal do Teatro Municipal na vertente do cinema sonoro.

- a 28 de setembro, Teodoro Silva (1900-1976) realiza a película “O Segredo”, uma longa-metragem de ficção, muda, a preto e branco, que conta com a presença de alguns atores amadores madeirenses tais como, o próprio Teodoro Silva, Victor Rosa, Jorge Nunes, Manuel Câmara e Alexandre Pinto.
Foi produzida por uma empresa madeirense, a Voz de Portugal.

- a 20 de novembro estreia no Cine-Jardim, mais um filme com Virgílio Teixeira (1917-2010), denominado “Um Homem às Direitas” de de Jorge Brum do Canto (1910-1994).

1948 - de 20 a 28 de abril, Manuel Luís Vieira (1885-1952) esteve na Madeira a filmar um documentário sobre as estradas da Ilha, documentário esse que depois foi exibido na Exposição “15 Anos de Obras Públicas 1932-1947”, que decorreu no Instituto Superior Técnico em Lisboa entre maio e junho de 1948.

- entre 7 e 11 de abril Manuel de Olim Perestrello, Júnior (1893-1980) fez um documentário intitulado “A visita de Nossa Senhora de Fátima à Madeira” em 9,5 mm. Foi produzido pela Voz de Portugal e exibido com grande sucesso no Teatro Municipal, nos dias 7, 9 e 10 de junho de 1948 e em várias localidades fora do Funchal.

- a 26 de maio estreia no Funchal, nos écrans do Teatro Municipal “Baltazar Dias” o filme protagonizado por Virgílio Teixeira (1917-2010), denominado “Fado, História de uma Cantadeira” de Perdigão Queiroga (1916-1980), onde contracena com Amália Rodrigues (1920-1999).

- a 21 de setembro passa no Teatro Municipal, “exclusivamente para a Censura e Imprensa”, o filme “O segredo” de Teodoro Silva (1900-1976).

– Na última semana de dezembro estreia no Teatro Municipal, a película “O Segredo” e volta a ser exibida em fevereiro do outro ano.

- João Firmino Caldeira (1897–1975) trespassa o “Cine Parque” para a Empresa Cinematográfica da Madeira, contudo volta a adquirir a casa em 1952.
Esta “sala de espetáculos” encerra em [1988].

1949 – a 25 de janeiro, estreia no Teatro Municipal Baltazar Dias, o filme “O Segredo” de Teodoro Silva (1900-1976), com Adelina Fernandes e Marianela Horta.
Nesta sessão e na que se repetiu a 5 de fevereiro, passou também um documentário sobre a Madeira.

- a 10 de março, o empresário João Jardim submete à Câmara Municipal do Funchal um projeto de construção de um cinema no local onde se encontrava o “Cine-Jardim”, tendo a Câmara na sua reunião de 28 de abril e após parecer do arquiteto Faria da Costa, declinado dar um parecer positivo, passando o assunto para a Inspeção Geral dos Espetáculos.

- a 11 de junho estreia no “Cine-Jardim” o filme “Heróis do Mar”, de Fernando Garcia (1917-?), com Virgílio Teixeira (1917-2010).

- a 26 de junho começam sessões de cinema na Esplanada “Carvalheiro”. Terminou a 27 de novembro.

- a 1 de julho, no Hotel “Mira-Mar”, em sessão privada, foi passado um filme de paisagens da madeira, da autoria de um madeirense, radicado nos E.U.A., de seus nome João R. Braz.

- a 7 de julho, o professor do liceu do Funchal, Francisco Ezequiel Evaristo, fez passar no ginásio do Liceu dois documentários da sua autoria: “Um deles, denominado “Madeira 48”, foca vários acontecimentos desse ano, nomeadamente a passagem por esta ilha do glorioso Almirante Gago Coutinho, em Março, as duas visitas da imagem de Nossa Senhora de Fátima, a festa da Mocidade Portuguesa (28 de Maio), a festa de São João, em São Martinho e a excursão de continentais, do “Serpa Pinto”, no fim do ano […]
No documentário “Madeira 49”, foca a visita do porta-aviões “Teseus” e do “St. James”, da Marinha de Guerra Inglesa e a inauguração da ponte de São Jorge. Um outro filme, de cinema a cores, será passado, com vistas do Funchal.”

- a 31 de julho, o Prof. Francisco Evaristo foi à “Quinta Miles”, na Camacha, filmar uma atuação do Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, atuação essa que havia valido a esse grupo um segundo lugar no Concurso Internacional de Canções e Danças Populares, realizada em Madrid no ano de 1949.

- a 20 e 21 de novembro, o Prof. Fernando Evaristo passou os documentários da sua autoria no Salão de Festas de Santa Maria.

- a 1 de dezembro, o “Diário de Noticias” do Funchal faz uma critica ao documentário colorido “Madeira 1949” da autoria do Prof. Francisco Ezequiel Evaristo, dizendo que: “Nele se focam os principais acontecimentos ocorridos em 1949, dos quais devemos destacar o Juramento de Bandeira, as procissões de “Corpus Christi” e de Voto, os exercícios dos Bombeiros Municipais, as festas do “28 de Maio” no Liceu do Funchal, a visita do Cruzeiro Marítimo da Mocidade Portuguesa, as tosquias, o desafio de futebol Benfica-Marítimo, a exibição do Grupo Folclórico da Camacha, a tradicional festa de São Pedro na Ribeira Brava, etc.”

- a 1 de dezembro é inaugurado o Cine Esplanada da Ribeira Brava, localizado no Largo dos Herédias.
            Propriedade de João Severiano de Freitas, Manuel dos Reis Macedo, Agostinho José Andrade, Agostinho Abreu Macedo e Hamilton Leonildo Silva.
Esta sala de cinema foi, também, explorada pela empresa Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada, propriedade de João Aquino Morna Jardim (1934-2002).

- a 19 de dezembro passou o documentário “Passagem da Imagem de Nossa Senhora de Fátima pela Madeira” no “Salão Brasil” da Escola Industrial.

- a 22 de dezembro começam as filmagens do documentário “Pérola do Atlântico”, da autoria da Organizações Cinematográficas, Lda. e realizado por Fernando Sousa Neves.

- entre 30 de dezembro de 1949 e 5 de janeiro de 1950 esteve na Madeira uma equipa da Pathé Baby Portugal Lda. e da Sonora Rádio Graça, filmando as festas de Fim de Ano.
Com os operadores das empresas acima referidas vieram também os artistas Maria Sidónio, Horácio Reinold e Tony de Matos.

1950   – A 21 de Janeiro faleceu João dos Reis Gomes (1869-1950), o pioneiro encenador teatral que usou o cinema nas suas peças.

- a 6 de fevereiro terminaram as filmagens, na Madeira, do documentário “Pérola do Atlântico”, da autoria da Organizações Cinematográficas, Lda. e realizado por Fernando Sousa Neves.

- a 6 de fevereiro esteve de passagem pela Madeira, a bordo do “Britannic”, o produtor cinematográfico James FitzPatrick (1894-1980), tendo aproveitado nas poucas horas que passou nesta ilha para recolher algumas imagens em movimento das suas paisagens, tendo nesta tarefa contado com a valiosa colaboração de Raul Martins Perestrello (1915-1998), tendo encarregue a firma “Perestrellos Photographos” de continuar a filmagem das paisagens madeirenses para um documentário pessoal.

- a 24 de maio estreia no Teatro Municipal o filme “A volta do José do Telhado”, filme de Armando de Miranda (1904-1975), com a participação de Virgílio Teixeira (1917-2010).

- a 28 de maio reabre a época de cinema na “Esplanada Carvalheiro”.
Termina a 5 de novembro.

 – A 30 de maio é exibido, no Teatro Municipal a película “A pérola do Atlântico”, documentário de 46 minutos, realizado por Fernando Sousa Neves. A película contou com leque de colaboradores famosos na narração dos textos como Artur Agostinho (1920-2011), João Villaret (1913-1961), Armando Ferreira e Isabel Maria que granjeou um êxito pouco comum para documentários.
Como complemento passou a reportagem de um encontro de futebol entre o Club Sport Maritimo e o Sporting Clube de Portugal, decorrido a 1 de janeiro de 1950, que segundo o “Diário de Noticias” do Funchal foi o “primeiro documentário desportivo produzido em Portugal com gravação de som directa que nos mostra as emocionantes fases do célebre desafio”.
Teve uma antestreia a 24 de maio só para as autoridades do arquipélago e jornalistas convidados.
Passou no “Cine-Parque” a 1 de junho e novamente no Teatro Municipal a 4 e 11 de junho.

- a 20 de julho a Câmara Municipal do Funchal, após concurso público entrega a exploração do cinema no Teatro Municipal Baltazar Dias a João Jardim, mas só a 10 de outubro é que a exploração começa efetivamente.

- de 1 a 6 de agosto esteve na Madeira, a filmar um documentário turístico, a pedido da Delegação de Turismo da Madeira, um cineasta norte-americano.

- a 11 de agosto estreia no “Cine-Jardim”, o filme “Ribatejo” de Henrique Campos (1909-1983), com a participação de Virgílio Teixeira (1917-2010).

- a 27 de setembro chega à Madeira uma equipa da “Terrestrial Film Company”, companhia cinematográfica britânica especializada em filmes documentários sobres ilhas, para produzir um filme denominada “História da Madeira”, contando entre os elementos o produtor, Major Leslie Cardew, o cineasta Richard “Tommy” Tomlinson e a atriz Miki Hood (1915-1994).
Esta pelicula passou nos cinemas em Londres, com o nome de “Madeira Story”, em março de 1951.

- A 22 de dezembro faleceu o capitão José Bettencourt Câmara, o empresário que marcou a distribuição cinematográfica nos anos 30 e 40 na Madeira. Durante anos geriu a Empreza do Cinema Sonoro da Madeira.

1951 – a 19 de fevereiro, no ginásio do Liceu do Funchal, passou, como parte da rúbrica “Terras de Portugal”, dois filmes do Dr. Francisco Evaristo, de 16 mm a cores, denominados “Ilha da Madeira” e “Madeira 49, homens e factos”.

- estreia, a 29 de maio, no Teatro Municipal o filme “Na Ilha da Madeira” realizado por Francisco Ezequiel Evaristo, repetindo a 7 e a 21 de junho.
A 8 de julho passa na sede do Grupo Cultural de Santa Maria.
A 17 de julho, por intermédio de Joaquim Marques Ferraz Simões, passa em Lisboa aos participantes do Congresso da “Pan American”.

- a 8 de junho no ginásio do Liceu do Funchal, passam vários documentários realizados por Francisco Ezequiel Evaristo, sobre os monumentos nacionais, nomeadamente o “Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Sé de Silves e Castelo dos Mouros, também em Silves”.

- a 6 de julho, o padre Köhler realizou uma sessão de cinema no Patronato de São Pedro.

- a 11 de agosto, no “Atlantic Hotel”, onde se encontrava hospedado, o emigrante madeirense nos Estados Unidos da América, de seu nome João Braz, faz passar vários filmes da sua autoria relacionados com o dia a dia da comunidade madeirense.

- a 20 de agosto parte para o continente, o professor do Liceu do Funchal, Francisco Ezequiel Evaristo, para onde iria ser colocado como professor no Liceu de Beja.

- a 16 de setembro reabre a “Esplanada Carvalheiro”

1952 – a 23 de abril o hidroavião da “Aquila Airways”, o “Hungerford”, filmou as manobras de amaragem do outro hidroavião da mesma companhia, o “Sydney”, na baía do Funchal.

- a 24 de agosto reabre a “Esplanada Carvalheiro”, encerrando a 12 de outubro.

- Faleceu, a 24 de agosto, em Lisboa, Manuel Luís Vieira (1885-1952). Por altura de seu falecimento, este cineasta e operador de câmara madeirense, iria ter seu nome ligado a mais de 150 filmes, 100 dos quais como realizador, na sua maioria eram documentários e curtas-metragens realizadas por todo o Portugal, desde as colónias a Portugal insular e continental.

- a 25 de outubro, na sequência de uma palestra de Filipe Gameiro Pereira (1911-1968) no Ateneu Comercial do Funchal sobre arbitragem no futebol, foram passados diversos filmes sobre o tema.

- entre 28 de novembro e finais de dezembro esteve na Madeira uma equipa da Film Paternship, constituída pelo seu gerente Robert Angell (1921), um assistente técnico, chamado Robin Cantlon, um operador de câmara (Wolfgang Donat) e dois assistentes de realização, para produzirem um filme documental estereoscópico sobre a Madeira para ser exibido “nos espectáculos especiais no Riverside Theatre instalado nos Festival Gardens, em Londres, na inauguração e durante os festejos da coroação da Rainha Elizabeth II”.

- a 17 de dezembro passou na sala de espetáculos do Secretariado Nacional de Informação, em Lisboa, o filme “Maravilhas da Madeira” da autoria do professor Francisco Ezequiel Evaristo, sob o patrocínio da Casa da Madeira de Lisboa.

1953 – a 3 de janeiro estreia no “Cine-Parque” o filme “Cristóvão Colombo e a América”, no original “Alba de América”, um filme luso-espanhol de 1951, realizado por Juan de Orduña  (1900-1974), com a participação dos atores portugueses António Vilar (1912-1995) e Virgílio Teixeira (1917-2010).

- No Teatro Municipal é exibido a película “O Milagre de Fátima”, teve pouca afluência do público madeirense.

- a 8 de agosto é inaugurado o Cine-Imperial em Santa Cruz, com o filme de 1950 “O Facho e a Flecha” (no original “Flame and the Arrow”), com Burt Lencaster (1913-1994) e Virginia Mayo (1920-2005).

- a 13 de setembro, durante a Festa da Vindima, que decorreu na Quinta Vigia nos dias 12 a 20 de setembro, houve uma sessão de cinema no “recinto de ténis”.

- a 3 de agosto, no quartel do Batalhão de Infantaria nº 19, durante um Sarau Artístico, produzido pelos próprios militares, foram passados diversos filmes, nomeadamente “dos Juramentos de Bandeira, em 1950, no Campo Almirante Reis e 1952 e ainda diversas passagens com fotografias dos edifícios militares e outros aspetos”.

- a 21 de novembro, na sala das sessões da Junta Geral do Funchal, passou cinema, nomeadamente documentários sobre agricultura.

- a 15 de dezembro, durante a cerimónia de entrega de prémios aos vencedores da regata Machico-Caniçal e do concurso de caça submarina, decorrido no Paul do Mar, cerimónia esta que decorreu no Pavilhão Marinho do Hotel Savoy, foram passados diversos filmes, entre os quais um documentário sobre a caça à baleia na Madeira, da autoria de Raul Martins Perestrelo (1915-1998).

1954 – a 26 de fevereiro estreia, no Teatro Municipal Baltazar Dias, o filme “Nazaré” de Manuel Guimarães (1915-1975), com participação de Virgílio Teixeira (1917-2010).

- em março, pelo empresário João Jardim, foi passado o filme “D: Camilo”, comédia francesa de 1952 com Fernand Joseph Désiré Contandin “Fernandel” (1903-1971), realizado por Julien Duvivier (1896-1967), no Sanatório “Dr. João de Almada” e dedicada aos doentes daquele estabelecimento.

1955 a 13 de janeiro estreia no Cine-Parque o filme espanhol “A Leoa de Castela”, de Juan de Orduña (1900-1974), com a participação de Virgílio Teixeira (1917-2010).

- a 23 de janeiro foram passados diversos documentários sobre os correios, produção da União Postal Universal, num dos salões da Junta Geral do Funchal, sendo que esta sessão de cinema foi só para os funcionários dos CTT da Madeira.

- A 23 de fevereiro 1955 é inaugurada a nova máquina de projectar, Cinemascope, no Cine-Parque com a presença do Governador Civil, Comandante João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1

- a 17 de março foram passados três filmes de caracter cientifico na Junta Geral do Funchal, por conta da Delegação da Madeira da Ordem dos Médicos, filmes esses distribuídos pelo Instituto Britânico.

- a 19 de março foi inaugurada o Cinemascope no Teatro Municipal, com o filme “O Príncipe Estudante”, filme de 1954, realizado por Richard Thorp (1896-1991).

- a 20 de abril foi estreado no Teatro Municipal o sistema “VistaVision”, com o filme “Natal Branco”, filme de 1954 realizado por Michael Curtiz (1886-1962).
      
– a 2 de julho estreou no Teatro Municipal (a 3 de julho no Cine Jardim e a 21 de novembro no Cine-Parque) o documentário produzido por Perdigão Queiroga (1916-1980) e por Ricardo Malheiro (1909-1977) e realizado por Aquilino Mendes (1908-1993), com os operadores Abel Caetano Escoto (1919-2104), Álvaro Alves do Espirito Santo e Rui Fernando da Silva Rodrigues Correia, da visita do então Presidente da República General Francisco Higino Craveiro Lopes (1894-1964), ao Arquipélago da Madeira de 30 de maio a 2 de junho de 1955.

- a 14 de julho o Cine-Parque estreia o sistema Cinerama, com o filme de 1954 “Sublime Expiação”, realizado por Douglas Sirk (1897-1987).

- a 30 de julho as obras da ponte sobre a Ribeira da Janela foram filmadas por Jaime Nunes, durante a visita do então Presidente da Junta Geral do Funchal, Eng.º  António Teixeira de Sousa (1905-1995).

- na sessão da Junta Geral do Funchal de 23 de setembro de 1955 foi deliberado o seguinte: “A Comissão Executiva agradece o despacho de Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional, mandando realizar dois filmes a cores sobre a Madeira, em seguimento do desejo manifestado pelo Dr. Henrique Veiga de Macedo, quando da visita realizada a esta Ilha em Junho último, como Subsecretário de Estado da Educação Nacional.
Dos filmes mencionados, um fotografado em Eastmancolor será realizado pelo sr. Fernando Garcia (1917-2008) e o outro, em Agfacolor, pelo operador alemão Sr. Alfred Erahrt, um dos primeiros técnicos europeus da especialidade […]”

- a 6 de novembro foi inaugurado, no Cine-Esplanda da Ribeira Brava, um novo projetor, pelo então Governador Civil da Madeira, Comandante João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969).
Como filme de estreia foi passado um filme de 1954 “Rei sem Coroa”, no original “His Majesty O´Keefe”, com Burt Lencaster (1913-1994) e Joan Rice (1930-1997) e realizado por Byron Haskin (1899-1984).

- a 22 de novembro falece, Salazar Dinis (1900-1955), filho do médico madeirense  “Dr. Gregório Diniz, que durante muitos anos exerceu clinica em São Vicente, onde foi Delegado de Saúde” e um dos operadores mais importantes do cinema nacional nas décadas de 30 e 40.

- no “Diário de Noticias” do Funchal de 6 de dezembro temos uma “local” que refere que a Delegação de Turismo da Madeira, com o patrocínio do Secretariado Nacional de Informações havia encarregado um produtor e realizador alemão Bernhard Redetzki, que nesse momento já se encontrava na Ilha, para produzir e realizar quatro documentários sobre o arquipélago da Madeira.
O “Diário de Noticias” do Funchal, na sua edição de 13 de maio de 1956 refere que nesse momento três desses documentários já estariam finalizados e que dois deles, intitulados “Cidade do Oceano” e “Fisionomia de uma Ilha”, haviam recebido da parte do Governo da República Federal Alemã a classificação de “Valor Artístico”.

- entre 13 de dezembro de 1955 e 8 de janeiro de 1956, estiveram na Madeira, Ricardo Malheiro (1909-1977), produtor e Fernando Garcia (1917), realizador, onde produziram o primeiro de dois documentários sobre a Ilha da Madeira para a Campanha Nacional de Educação de Adultos.
O segundo filme foi filmado em abril de 1956.
A 2 de fevereiro de 1956, no “Jornal Sonoro” da Emissora Nacional, passou uma entrevista com Ricardo Malheiro (1909-1977), no decurso da inauguração de uma exposição fotográfica no Palácio Foz, sede do Secretariado Nacional de Informação, sobre a Madeira, com imagens da sua autoria, no qual ele enumera os filmes que está a realizar no arquipélago, nomeadamente: “uma, da indústria dos bordados; outra, dos vimes e ainda outra da Arte Sacra. Será feito também um documentário sobre os vinhos da Madeira.”

- a 25, 26 e 27 de dezembro de 1955 passou cinema na Casa do Povo de Santo António.

[1955] – é fundado o “Cine Clube do Funchal”, sendo liderado por António Aragão Mendes Correia. A atividade do “Cine Clube” iria estender-se até os inícios da década seguinte.

1956 – pelo decreto-lei 40 572 de 16 de abril de 1956 é criada a Federação Portuguesa de Cine-Clubes, “com personalidade jurídica e sede em Lisboa.”

- a 24 de abril, no Salão Nobre da Junta Geral do Distrito do Funchal, passaram diversos documentários no decurso de um curso para os funcionário públicos do Distrito sobre a Defesa Civil do Território (D.C.T.)

- a 20 de maio, João Firmino Caldeira (1897–1975), empresário que explorava o Cine Parque, encarrega Ricardo Malheiro (1909-1977) para filmar o jogo de futebol entre o Porto e o Marítimo no Estádio “Pina Manique”, referente às meias-finais da Taça de Portugal e promete exibi-lo, no Casino da Madeira, 24 horas após o desafio. Não correu como o prometido pois a pós-produção do documentário demorou mais do que o previsto, só chegando à Madeira três dias depois, sendo exido no Cine-Parque no dia 25 de maio.

- a 23 de maio, passam, o Cinema S. Luís em Lisboa, em sessão privada os filmes produzidos pela Campanha Nacional de Educação de Adultos, entre os quais a realizada na Madeira, com o titulo de “A Ilha que nasceu do mar”. Assistiram a essa sessão os então Ministros da Educação, Ultramar, Economia e Corporações e Subsecretários da Educação e Assistência, respetivamente, Francisco de Paula Leite Pinto (1902-2000); Raul Jorge Rodrigues Ventura (1919-1999); Ulisses Cruz de Aguiar Cortês (1900-1975); Henrique Veiga de Macedo (1914-2005); Baltazar Leite Rebelo de Sousa (1921-2002); e José Guilherme de Melo e Castro (1914-1972).

- a 27 de maio passam, no Salão Ginásio do Liceu Nacional do Funchal, diversos documentários sobre a Defesa Civil do Território.

- o “Diário de Noticias” do Funchal de 29 de maio de 1956 faz referência, numa local, dos dias, do mês de junho, que a Missão Cultural da Campanha Nacional de Educação de Adultos iria passar filmes em diversas localidades da Madeira, começando a 5 de junho nos Canhas e finalizando a 29 desse mês na Quinta Grande.

- a 16 de junho chega ao Funchal Aquilino Mendes (1908-1993), encarregue pela Delegação de Turismo da Madeira de produzir um documentário sobre a Madeira em “Cinemascópio”.

- a 18 de junho são estreados, no Teatro Municipal Baltazar Dias, em sessão privada para as autoridades civis e militares do Arquipélago, os filmes realizados por Ricardo Malheiro (1909-1977), nomeadamente “A Madeira é uma canção”, “Fim de Ano na Madeira” e “A Ilha que nasceu do mar”, com a presença do próprio.
Os filmes são depois exibidos ao público em geral, nos dias 19, 20, 23 e 24 de junho na “Esplanada do Casino da Madeira” e a 21 e 22 de junho no “Cine-Parque”.

- a 19 de junho é inaugurada a temporada de cinema na “Esplanada dos Jardins do Casino da Madeira”, cujo gerente era João Firmino Caldeira (1897–1975).

- a 26 de julho começam sessões de cinema regulares na Casa do Povo de Santo António.

- entre 15 e 20 de agosto esteve na Madeira uma missão cientifica francesa, a bordo do navio “Calypso” e chefiada pelo famoso explorador submarino Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), tendo nesta estadia aproveitado para fazer cinco filmes, dois dos quais da pesca do peixe espada preta (Aphanopus carbo).

- a 25 de setembro, a bordo do navio “Venus” da companhia sueca, Bergen Line, passou um filme, a que assistiram as mais altas autoridades do arquipélago e os empresários madeirenses ligados ao Turismo, denominado de “Férias na Madeira”, produzido pela própria Bergen Line, com patrocínio da Delegação de Turismo da Madeira.

- a 29 de setembro foi passado um filme da série “Bucha e Estica”, na Quinta Vigia, numa sessão dedicada às crianças, que incluiu espetáculos de palhaços e outras atividades.

- a 7 de novembro começam as filmagens na Madeira do filme francês, produzido pela “Isis Films”, “Silvani de mes nuits”, escrito e realizado por Marcel Blisténe (1911-1991) e protagonizado por Giselle Pascal (1821-2007) e Franck Villard (1917-1980), tendo as filmagens terminado a 18 de novembro.

- entre 23 de dezembro de 1956 e 19 de janeiro de 1957, o navio-escola “Sagres” esteve na Madeira a proceder à recolha de imagens para um documentário.

- falece, em Lisboa, a 26 de dezembro, Francisco Bento de Gouveia (1873-1956), um dos pioneiros do cinema na Madeira e fundador da “Madeira Film” em 1922.

- chega à Madeira a 27 de dezembro o cineasta norte-americano Louis Rouchemont (1899-1978), com uma equipa de operadores cinematográficos para filmar diversos panoramas da Madeira para um documentário, em “Cinemiracle”, que esteva a realizar usando o navio-escola norueguês “Christian Radich”, a que se dará o titulo de “Windjammer: The Voyage of the Christian Radich”, estreado a 25 de abril de 1958.
Este documentário, na sua parte, realizada na Madeira, contou a colaboração da Delegação de Turismo da Madeira, que, inclusive, procedeu à montagem de uma Exposição de Industrias Regionais que decorreu nos jardins do Casino da Madeira de 7 a 10 de janeiro de 1957.
Também teve a colaboração do navio-escola “Sagres”, que no dia 9 de janeiro de 1957 encenou um encontro em alto mar com o navio norueguês e a sua entrada conjunta no porto do Funchal
Esta equipa de filmagem partiu da Madeira a bordo do navio-escola “Christian Radich” a 16 de janeiro de 1957, tendo americano Louis Rouchemont (1899-1978), partido a 17 de janeiro de 1957, no hidroavião da “Aquila Airways” conjuntamente com o escritor australiano Alan Villiers (1903-1982), que o esteva a ajudar no documentário e que havia chegado a 10 de janeiro de 1957.

1957  – a 18 de março é inaugurado no Cine-Parque o sistema “Cinescópio 55”, que usava película de 55 mm.

- a 6 de abril chegam à Madeira os cineastas Ricardo Malheiro (1909-1977), Fernando Garcia (1917), Aquilino Mendes (1908-1993) e António Albuquerque Alcácer, para produzirem três documentários, um turístico e os outros dois sobre as industrias dos bordados e dos lacticínios na Madeira.

- a 15 de abril a equipa cinematográfica portuguesa, liderada por Ricardo Malheiro (1909-1977), filmou a chegada dos 344 integrantes do IV Congresso dos Médicos Radiologistas e Cardiologistas de Cultura Latina, que vieram à Madeira em viagem de recreio.

- a 16 de abril passou, novamente, no Teatro Municipal o filme “A Ilha que nasceu do mar”.

- a 17 de maio passou cinema no Ginásio do Liceu do Funchal, nomeadamente documentário sobre a Defesa Civil do Território.

- no “Diário de Noticias” do Funchal de 24 de junho, é referido que o filme “A Ilha que nasceu do mar” foi premida como o melhor filme do ano de 1956 pelo Secretariado Nacional de Informação.

- no “Diário de Noticias” do Funchal de 23 de agosto é referido que os Visconde H. de Prailauné de Beaumont, que haviam estado na Madeira em abril deste ano, fizeram uma série de filmes, que posteriormente dividiram num documentário e uma ficção, a que chamaram de “Anne e Robert”, tendo nos principais papeis, duas jovens madeirenses, Maria Lyra Pereira (Robert) e Graça Varela (Anne), tendo passado, em agosto, estes dois filmes, ainda sem a pós-produção final, na Quinta da Ribeira (atual  sede da Direção Regional da Juventude, à Calçada da Cabouqueira), então propriedade de Miguel de Santa Clara Gomes.

- A 4 de Setembro passam no Funchal, no Teatro Municipal Baltazar Dias, três filmes sobre a vida marinha, da autoria de Jean Foucher-Créteau e Roger Rives, membros do “Club des Chasseurs et Explorateurs Sous-marines de France”, um dos quais, filmada nos mares da Madeira em outubro de 1956, que fazem grande sensação, até porque é a primeira vez que incluem imagens das Ilhas Desertas, submarinas e terrestres.

- Neste mesmo ano, começando a 3 de setembro, José Perdigão Queiroga (1916-1980), completa os dois documentários sobre os bordados e indústria de lacticínios da Madeira, que haviam sido encomendadas ao produtor Ricardo Malheiro (1909-1977), pela Delegação de Turismo da Madeira em 1956.

1958 – Realizou-se neste ano, uma reportagem fílmica intitulada “Primeiro Cruzeiro de Pescarias às Ilhas Adjacentes”, o realizador e diretor de fotografia foi Aurélio Rodrigues.

1960 – Foi filmado o documentário intitulado “Arte Sacra” com 11 minutos, e mostrava ao grande público as peças de arte flamenga que existiam nas Igrejas da Região. Este filme foi realizado por António Lopes Ribeiro (1908-1995).

1961António Alexandre Cohen da Cunha Telles (1935) fundou a Produção Cunha Telles e lança o seu primeiro filme, “Vacances portugais”, filmado pela equipa de Pierre Kast (1920–1984), na Ilha Dourada (Porto Santo).
           
- “A Ribeira da Saudade” película produzida por Felipe de Solms e realizada por João Mendes (1919-1997). A película foi filmada na Madeira e na altura foram selecionados “atores” madeirenses para figurantes: Carlos Veloza, Leandro Jardim, Rosário de Freitas e Pedro Amaral.

1962Herlander Peyroteo (1929-2002) realiza a película “Max canta três canções”, com a presença do cantor madeirense Max - Maximiliano de Sousa (1918-1980).
As filmagens decorrem na Madeira com a presença de madeirenses: Edgar Gonçalves Preto, na assistência de realização, Vicente Jorge Silva (1945) como figurante e António Alexandre Cohen da Cunha Telles (1935) na produção.

1965 – A 15 de março estreou, “As ilhas encantadas”, no Cinema Tivoli, em Lisboa e em novembro, no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.
Foi produzida por António Alexandre Cohen da Cunha Telles (1935), e realizado por Carlos Vilardebó. Foi a super produção mais cara filmada na Ilha da Madeira.
Um desastre de bilheteira e nem a presença de Amália Rodrigues (1920-1999), a diva do fado português, conseguiu captar o entusiasmo do público. O filme é mal aceite e esta atriz não voltará a aceitar um papel principal no cinema, apesar da insistência de amigos.
Participaram como figurantes os madeirenses Martim Bettencourt da Câmara e Manuel de Olim Perestrello, Júnior (1893-1980), que efetuou a reportagem fotográfica das filmagens – “As ilhas encantadas”

- João Aquino Morna Jardim (1934-2002) funda a empresa Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada.
Este empresário, na década de 70 e 80 do século XX, iria explorar uma série de cinemas localizados nas zonas rurais, nomeadamente: Caniço – Salão Paroquial, Santa Cruz – Restaurante Cinema Imperial, Machico – Cinema Zarco, Paul do Mar – filmes projetados no edifício existente em frente ao campo de futebol, Ponta Delgada (na piscina), São Vicente – no Salão Teatro Gil Vicente, Calheta (no sítio da Estrela).

1966  – A 25 de novembro foi inaugurado o Cinema João Jardim, embora as sessões de cinema se tenham iniciado a 5 desse mês. O ato foi presidido pelo Governador Civil, Comandante João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969) e outras autoridades.
Propriedade de João Jardim (1907–1985).
Este cinema tinha a capacidade para 1.233 pessoas, 566 na plateia, 238 para tribuna e 429 para o balcão.
Na época foi considerada uma das melhores salas de cinema de Portugal.
O Cinema João Jardim encerra em [1986].
           
- a 30 de novembro, é fundado o Cine Forum. Situado na Rua Ivens, este Clube de Cinema propõe-se “ (...) a projecção mensal de filmes, a comentar e a discutir “em forum”, a divulgação do cinema através de cursos de iniciação e preparação de crítica para os jornais, a criação de folhas de cultura cinematográfica na Imprensa local, a organização de colóquios, de conferências, de uma biblioteca especializada, a canalização do interesse do público para todos os filmes válidos a exibir, a criação de grupos de cinema experimental. (...) ”.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.103

1967 – a 28 maio de 1967 é inaugurada uma nova sala de cinema "Mar e Sol",  localizada no sítio do Livramento, na Vila da Ponta do Sol.
Propriedade de João Pita.

1968 – o realizador José Fonseca e Costa (1933) filma na Madeira, um documentário intitulado “The Pearl Atlantic”, baseado na obra da escritora Maria Lamas (1893-1983). Filme publicitário para a companhia aérea portuguesa – TAP.

1969 – neste ano, José Fonseca e Costa (1933) realiza, na Madeira, segundo filme publicitário para a companhia aérea portuguesa – TAP, intitulado “The Columbus Route”.

1970 – Na década de 70, a Madeira “em termos qualitativos e quantitativos os documentários que se fizeram são dos mais fracos de sempre (...) e não se realizaram produção cinematográfica (...)” 
Foram realizados 20 filmes todos documentais e quase sem estreia em salas de cinema locais, uma vez que foram feitos quase exclusivamente na transcrição vídeo para televisão.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.107

1972 - João Firmino Caldeira (1897–1975) vende à empresa Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada, propriedade de João Aquino Morna Jardim (1934-2002) o Cine Parque, o Cinema do Porto Santo e posteriormente a aquisição dos direitos de concessão do Teatro Municipal. Concessão, essa, que termina em 1978.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.108

1973“Madeira e a sua flora”, realizado por Alice Gabriela Gamito, é um documentário que mostra a beleza natural da Ilha da Madeira, que proporciona imagens belas sobre esta. Embora as imagens sejam belas, com a montagem de texto e locução levaram que o filme ficasse muito aquém das expectativas.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.106

1974/76 – Realiza-se outro documentário sobre a Arquipélago da Madeira “As Ilhas da Salvação” de Hélder Mendes (1931), que também foi diretor de fotografia deste filme.
Levou dois anos a ser realizado por causa das “convulsões” políticas uma vez que se inicia as filmagens em pleno 25 de abril de 1974.
Foi rodado nas Ilhas Desertas e Selvagens, era dedicado ao estudo de aves nidificadas naquelas ilhas e também “(...) a princípio não previsto pelo realizador e produtor do projecto: contem ainda, estupendas imagens sobre a pesca do atum e a faina dos pescadores madeirenses (...) a campanha da pesca de atum”, pesca característica do arquipélago.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.106

1977 – Realizou-se a película Colonia e vilõesassinado por Leonel Brito (1941), teve como diretor de fotografia Elso Roque (1939).
Foi das únicas películas que foca diretamente o problema da colonia. O filme denuncia o “contrato de colonia” regime de exploração da terra, em que o proprietário da terra, denominado de “Senhorio”, “arrendava” a terra ao trabalhador agrícola – “colono” – por determinados anos e com a obrigatoriedade do “colono” dividir com o “Senhorio” os produtos cultivados.
Esta película tem a particularidade de incluir música tradicional da Madeira, gravada ao vivo no Norte da Ilha.

- Do realizador madeirense José Luiz Cabrita, é produzido em 1977 o documentário “Madeira, Nossa Ilha”.
Contou com a participação na direção de fotografia, de dois excelentes fotógrafos madeirenses e com experiência no cinema, João Pestana e Rui Marote.

1978 – A 1 de julho de 1978 é inaugurado o Cine-Casino.

1980 – Ao longo da década de 80 surgem várias salas de cinema como por exemplo, Cine Deck, no edifício “Navio Azul”, à Estrada Monumental. O Cine Santa Maria, localizado na zona velha da cidade, é totalmente renovado nesta época. Estas salas, juntamente com o Cinema João Jardim e o Cine Casino, eram exploradas pela Empresa Lusomundo.

1981 – O Cine Forum, organiza a Assembleia Mundial de Realizadores.
O evento trouxe à Madeira nomes como Joris Ivens (1898-1989), François Truffaut, Orson Welles (1915-1985), entre outros, que redigiram a famosa Carta da Madeira, um documento histórico para os realizadores de cinema.

1982Raoul Ruiz (1941-2011), realiza o filme “Les trois couronnes du Matelot”, rodado parcialmente na Madeira. Esta obra contou com a produção de Paulo Branco (1950) e a participação de atores portugueses como Adelaide João (1927) e José de Carvalho. O filme foi lançado comercialmente em França no ano de 1983.

1983 – Há que destacar duas películas que se fizeram na Madeira, no ano de 1983, nomeadamente:

- “Madeira, Ilha de mil cores” de António Sousa (1912), o realizador retrata o ponto de vista do turista que chega à Ilha da Madeira, num cruzeiro, neste caso no paquete “Camberra”.
Deste realizador temos, ainda, a destacar sobre o Arquipélago da Madeira outros documentários: “A Ilha Dourada de Porto Santo” (1978), “Aguarelas Madeirenses” (1978), “Madeira, a Terra e o Homem” (1978), “Benvindos à Madeira” (1981), “Madeira – Floricultura” (1981), “Bom Dia, Funchal” (1982).

- António H. Escudeiro realiza, a película “Travessia – Viagem à memória do tempo”, que foi parcialmente rodada na Madeira. É um filme que caracteriza o povo português “obra de rara beleza melancólica (com todas as virtudes e defeitos que um saudosista possa ter) e por onde passam textos de António Gedeão, Fernando Pessoa, Drummond de Andrade, Sophia de Mello Breyner  ou Jorge de Sena”
O documentário passou na RTP - Madeira em finais de 1983, sem nunca ter sido exibido nas salas de cinema na Madeira.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira,1997, pag.114

- Entre 21 de fevereiro e final de abril é rodada uma película intitulada “Les tricheurs” (Os Batoteiros), realizado por Barbet Schroeder (1941), um dos diretores de cinema mais conhecidos que trabalhou na Madeira. Este filme contou com a presença de Virgílio Teixeira (1917-2010) como ator.

1985 - Raoul Ruiz (1941-2011), realizador chileno, roda na Ilha da Madeira a película “Manuel na Ilha das Maravilhas” - “Les Destins de Manoel”, “(...) filme onde feérico se cruza com a saudade e a ternura infantil que nunca se havia feito no cinema nacional (...). A ideia original do filme foi de João Botelho, a assistência de realização de José Maria da Silva (do Cine Forum), operador Mário Castanheira (Acácio de Almeida) e produzido por Paulo Branco. É de realçar a participação de alguns actores madeirenses, tais como o miúdo Ruben de Freitas e Marco Paulo de Freitas que interpretam a personagem Manuel durante a infância e a sua adolescência”.

1987 – Estreia em Paris no mês de dezembro a película “Ennemis intimes”, do realizador Dinis Amar (1946), filmada entre março e setembro 1987, rodada nos montes do Caniçal, onde foram edificados os cenários para filme. Teve como figurantes alguns madeirenses.

1988 – Encerramento do Cine Parque, com 60 anos ao serviço do público madeirense. Uma das salas de cinema mais populares do Funchal.

1989 – Entre os meses de outubro e novembro é filmada em Machico, Santana e Funchal, uma película intitulada “Eternidade”. Produzida e realizada por Quirino Simões.
Este filme tem como base o romance do escritor Ferreira de Castro (1898-1974) com o mesmo nome, realça a luta dos trabalhadores contra o regime ditatorial de Salazar nos anos 30, que levou a deportação de centenas de trabalhadores para a Ilha do Sal em Cabo Verde.
O ator Virgílio Teixeira (1917-2010) participa neste filme.
Estreou no cinema Quarteto, em Lisboa, a 25 de agosto de 1995.

[1990] – Na década de 90 abre o Cine D. João, localizado nas Galerias D. João, à Rua do Til.

1992 – Em fevereiro a Câmara Municipal do Funchal, organizou (com o apoio do Cine Forum, da Cinemateca Portuguesa e o Projeto Lumiére) uma reposição de alguns filmes de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), uns dos primeiros realizadores madeirenses.
Nessas sessões foram exibidas – em sessão dupla – “O Fauno das montanhas” e “A Calúnia”, as suas obras mais conhecidas e queridas do público em geral.
Foi a oportunidade de alguns interessados em cinema visionar estas duas obras do cinema madeirense.

1994 – Estreia em junho, na sala do Cine Casino, a película “Até amanhã Mário”, realizada por Solveig Nordlund (1943), este filme teve um relativo sucesso comercial.

1995 – A 16 de janeiro abre a sala de cinema Cine Max, no centro comercial “Marina Shopping”, à Avenida Arriaga, Funchal.

1997 – o madeirense Vicente Jorge Lopes Gomes da Silva (1945) realiza o filme intitulado “Porto Santo” cuja rodagem decorre na Ilha do Porto Santo.

2001 – Abertura de sete salas de cinema controladas pela Castello Lopes no Centro Comercial Madeira Shopping, situado em Santa Quitéria em Santo António.

- Inauguração de duas salas de cinema no Camacha Shopping, controladas pela Lusomundo

2005 – Abertura de seis salas de cinema controladas pela Lusomundo no Centro Comercial Fórum Madeira, situado na Estrada Monumental no sitio da Ajuda.